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Rúben Amorim: “€10 milhões era o valor que tinha na cláusula, quando o pusemos comecei-me a rir: quem iria pagar isto por mim?”

O novo treinador do Sporting não se imaginava ali, agora, aos 35 anos, mas sabe que os técnicos "vivem numa montanha-russa" e também sabe "da exigência e da grandeza do clube". Rúben Amorim disse que não foi para Alvalade por causa do dinheiro - "se não ganhasse aqui, ganhava noutro lado" -, mas pela ideia a longo prazo, realçando que toda a gente (incluindo ele) deve provar que "merece estar no Sporting". Frederico Varandas apresentou-o como "o treinador para o projeto" do clube, que "vai potenciar e criar valor" para a época 2020/21, deixando uma garantia: "Não estamos a fazer um all-in financeiro"

Tribuna Expresso

ANDRÉ KOSTERS/Lusa

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Frederico Varandas começou por apresentar o novo treinador

"É com grande prazer que apresento o novo treinador do Sporting. Não é só apenas o treinador, como também, acima de tudo, o homem escolhido para liderar este projeto desportivo. É o treinador do nosso projeto. Antes de falar do Rúben, gostaria de esclarecer algumas coisas que têm criado muito ruído.

Não estamos a fazer um all-in financeiro. Isso fez-se há mais de dois e anos e, passados três meses, não se pagavam impostos e ia-se à conta zero pagar salários. Há, sim, uma mudança de estratégia e de rumo e um novo paradigma. O orçamento para a época 2020/21 foi decidida há meses. A aquisição do Rúben Amorim não altera em um cêntimo esse orçamento - altera, sim, a alocação das verbas. Podemos discutir se é muito ou pouco. Para nós, o Rúben Amorim é um treinador que vai potenciar e criar valor.

Sabemos, confiamos e acreditamos que o treinador certo, num ano, vai valorizar um plantel em 30 ou 40 milhões de euros. Pode fazer um jogador que está nos sub-23 ser vendido por 40 milhões. Fala-se e ouve-se muito, e, sem qualquer hipocrisia, o mercado de treinadores não é diferente do dos jogadores. O futebol português não consegue atrair treinadores de renome internacional ou grandes treinadores portugueses que estão fora. Não querem vir e não é apenas por questões financeiras.

Não temos dúvidas que, daqui a poucos anos, o Rúben Amorim será grande demais para o futebol português. Também sabemos que se, porventura, este treinador fosse apresentado, daqui a poucos meses, noutro país, seria uma grande jogada - aqui é um grande risco. Rúben Amorim é a nossa escolha, é o treinador do nosso projeto, muito por estar alinhado com a nossa visão. Um futebol apoiado na formação, sem medo de lançar e potenciar jogadores.

É a nossa escolha não só pelos resultados que teve no Braga, mas, sim, pelo conhecimento mais profundo que temos do Rúben enquanto homem. Vai muito além dos resultados que teve. É uma opção, uma mudança de paradigma. É fácil justificar a compra: quantos jogadores se compram por 7, 8 ou 10 milhões? Não temos problemas em investir no treinador certo. Sabemos, volto a dizer, que é um grande treinador, não é milagreiro. Tem muita ambição, muito querer, conhece a realidade do futebol português, conhece as exigências de um clube grande e a ambição do Sporting.

Estamos completamente alinhados e, hoje, arranca a época 2020/21 para o Sporting. Gostaria de agradecer a Jorge Silas e a toda a sua equipa técnica, sempre tivemos uma relação transparente e leal."

ANDRÉ KOSTERS/Lusa

As primeiras palavras de Rúben Amorim

"Quero agredecer ao presidente, ao Hugo [Viana] e a toda a estrutura. É um grande desafio, mas conheço o clube. Fui adversário do Sporting durante toda a minha vida e percebi a grandeza do clube. É um orgulho enorme estar nesta casa e defender estas cores. Independentemente do momento, sei o que é o Sporting. Acredito no clube, espero que acreditem em mim, mas o meu foco é no trabalho. Posso dizer as palavras mais bonitas aqui, mas o que interessa é quem ganha, é a lei do futebol, estou preparado e sei que há uma grande exigência."

Qual é o objetivo?

"O desafio imediato é difícil. Existe um projeto a longo-prazo: valorizar jogadores, o clube e a sua formação. Tenho algum conhecimento da formação do Sporting, não passei por aqui, mas vou-me inteirar, tenho gente muito competente comigo. Temos que voltar à melhor escola de Portugal a formar talentos e passa muito por aí o nosso foco."

O treinador mais caro do futebol português

"A exigência é sempre igual. Os adeptos do Sporting querem ganhar, independentemente do valor que o treinador custou. Tinha o treino preparado e seria igual, quer tivesse custado zero ou 10 milhões de euros. Era o valor que tinha na cláusula, quando o pusemos comecei-me a rir, quem iria pagar isto por mim?"

Onde estou é onde quero ganhar. Como disse, o foco é no próximo jogo. Os jogadores têm de perceber a grandeza do clube, mas não temos de estar a falar nisso quando a grandeza está inerente. Óbvio que seria mais cómodo para o presidente, até para mim, esperarmos até ao início da época. Mas precisamos de tempo para preparar a próxima época, jogo a jogo, preparar o presente e o futuro, sabendo da exigência do clube."

Jogadores

"O conceito do projeto foi o que me fez vir para cá, não falámos em reforços. Falámos, sim, na ideia que há para o clube, é o principal, foi essa a conversa que tivemos. Sei o desafio e as dificuldades que tenho. A estrutura quer fazer tudo com tempo e ainda temos uma época com dois meses de competição. As nossas conversas foram sobre o que queremos para o futuro. Mas vamo-nos focar no Desportivo das Aves [próximo jogo] e, depois, passo a passo, vamos construindo o futuro."

Porque saiu do Braga?

"Motivos financeiros, posso-lhe dizer, que não foi. Faço a minha gestão de carreira e se não ganhasse aqui, ganhava noutro lugar. Perguntam-me se corre mal, e eu pergunto, e se corre bem? E se conseguirmos dar uma nova vida ao Sporting? Foi isso que me motivou. Talvez tenha escolhido o desafio mais difícil, mas foi o desafio que eu quis."

Imaginou estar aqui, agora, com 35 anos?

"Não esperava, ninguém esperava. O orgulho, a honra, a responsabilidade, essas são gigantes, do tamanho do clube, mas, passo a passo, jogo a jogo, treino a treino, vamos preparar o futuro. O meu foco é melhorar a equipa, os jogadores e melhorar a formação. Tenho uma boa estrutura e vou-me focar a preparar o futebol."

É o quarto técnico do Sporting esta época

"O Silas é um excelente homem e um grande treinador, mas, como disse, o Sporting é um clube tão grande que precisa de ganhar. Encontrei o plantel bem, se encontrasse o plantel muito bem seria um problema. Encontrei-o muito aberto a novas ideias, mas temos que levar as coisas com tempo, tenho de os conhecer e eles conhecerem-me a mim. Isto vai levar bastante tempo, mas todos os domingos temos de estar cá e sermos bastante competitivos."

A formação e o que falta a este plantel?

"Vou ter tempo e preciso de tempo para ver todos os jogadores, os emprestados e os que estão no plantel. Desde o primeiro momento que vamos tentar implementar a nossa ideia, vamos tentar envolver todos. Em relação a nomes para a próxima época, não vou prometer nada a ninguém, toda a gente tem que provar que merecem estar no Sporting, incluindo o treinador. O foco é esse. Todos têm de estar confortáveis com isso."

Joguei duas vezes contra o Sporting e apresentaram dois sistemas diferentes, em que tivemos dificuldades distintas. Foram dois jogos muito interessantes. Não faz sentido falar em debilidades, porque vamos mudar o sistema de jogo, que trará outras debilidades e outras forças."

O que sente perante os elogios do presidente?

"Sinto muito orgulho, mas não mexem nada comigo, passam-me um bocado ao lado, com todo o respeito. Os treinadores vivem numa montanha-russa. Não ganhando três jogos, já sou demasiado pequeno para estar na primeira divisão. Não tenho ilusões, temos que estar preparados para a exigência.

Temos uma maneira de jogar, podemos jogar com três centrais, podemos não jogar. Teremos uma equipa competitiva, que vai ter um conceito novo, mas teremos dois treinos e não há milagres, como diz o presidente."

O diagnóstico que faz do Sporting recente?

"Sou um treinador, sou uma peça. Não falo dos problemas todos. O meu foco é no treino, acredito no nosso trabalho, acredito nos jogadores, temos uma ideia clara e vamos por aí. Seria mais fácil dizer que vamos lutar pelo título. Vamos é lutar por todos os jogadores e para correr mais que os outros. Temos de saber a camisola que vestimos, mas vamos focar-nos jogo a jogo, não vale a penar pôr mais pressão. Lutamos para vencer e, no fim, logo se vê."

Um fanático do Benfica a treinar o Sporting

"Sou profissional de futebol, sou fanático por ganhar. Há poucas semanas dei esse exemplo. O meu foco é defender esta casa como defendi o Casa Pia. Estou a dizer que a minha forma de ser é igual em todo o lado. Respeito as cores que estou a defender, sei a grandeza do clube, não venho para aqui defender o meu passado. Sei e percebo a grandeza do Sporting e ninguém aqui quer mais ganhar do que eu."