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A não-questão de Rafa e o contexto que o beneficia no Benfica, mas nunca existiu na seleção

Em menos de metade dos jogos, Rafa já tem, esta época, mais toques na bola dentro da área e muitos mais remates, enquanto finta menos, segundo dados da Driblab. A forma de jogar que Roger Schmidt trouxe para o Benfica e, sobretudo, a mudança no posicionamento, explicam as condições que têm feito sobressair as melhores características do português - dinâmicas e posição que não há na seleção nacional à qual o jogador renunciou, sem (aparente) volta a dar

Diogo Pombo

Ilustração de João Carlos Santos

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Rafael Alexandre é um jogador peculiar pela forma como joga. Não é de agora que se lhe gaba a rapidez com que faz mudanças de direção, executa fintas curtas, dá pequenos toques na bola com pés de bailarina para se desviar de corpos adversários e se move com esguia velocidade em espaços curtos enquanto dá a maioria desses toques com a parte de fora da chuteira direita. É a rapidez em futebolista, um pequeno dínamo de velocidade a decidir e a executar quando tem pouco tempo para tal e muitas pernas adversárias à volta.

Mas o conhecido por Rafa é peculiar. Cada futebolista o é, cada um dono de características que têm de encaixar com as tidas por outros 10 jogadores, ou pelo menos com os outros nove jogadores de campo, no caso do português, no mínimo com quem pisa zonas do campo próximas dele. No seu bilhete de identidade futebolístico, as valias já citadas de Rafa, quando vistas em campo, podem ser resumidas assim: quando, no Benfica, recebe uma bola nos últimos 40 ou 30 metros do ataque, a rapidíssima forma como se vira e arranca para ultrapassar um adversário ou tabelar com alguém é o que mais o distingue.

Se fosse a lógica de um jogo de consola a imperar, a precipitada conclusão seria que a seleção perdeu todo esse frenesim de ações a 19 de setembro, quando Rafa, anunciando uma decisão “honesta e acertada”, renunciou à equipa nacional por “razões do foro pessoal”. Os simuladores de futebol, porém, são incapazes de ter em conta contextos e presumiriam que o existente à volta do jogador esta época, no Benfica, seria replicado por uns botões de comando quando estivesse em campo com Portugal - o que seria um embaciamento da realidade.

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