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O presidente da Federação de Futebol da Grécia quer Fernando Santos de volta: “É o meu desejo. Gostaria de ter um treinador disciplinado”

O presidente da Federação de Futebol da Grécia, que ficou sem selecionador na passada semana, foi a um programa de televisão no qual admitiu que o principal objetivo seria contratar Fernando Santos e fazê-lo retornar à seleção que treinou entre 2010 e 2014. A esperança do dirigente era que Portugal fosse eliminado do play-off de acesso ao Mundial e que o treinador ficasse livre

Diogo Pombo

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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A qualificação para o Mundial estragou planos, trocou as voltas a intenções e fez cadeiras remexer em quem assenta nelas. “A nossa visão é diferente e não está alinhada”, escreveu, na reclusão do seu ecrã de telemóvel, John van’t Schip, a cerca de cinco semanas do contrato que o ligava à Federação de Futebol da Grécia terminar, no último dia deste ano. “Tens de acreditar num projeto e não te desviares dele”, acrescentaria o neerlandês no seu longo texto de despedida, após dois anos e meio que culminaram no terceiro lugar do grupo de apuramento para o Catar.

Ficando atrás de Espanha e Suécia, a seleção grega ficou igualmente sem selecionador a 26 de novembro e, de novo, órfã de jogar um grande torneio. A última vez foi em 2014, no Brasil, onde um certo alguém perdeu as estribeiras, protestou contra os árbitros e acabaria expulso quando havia 120 minutos jogados numa partida dos oitavos-de-final do Mundial. Mais tarde, seria punido pela FIFA com oito jogos de suspensão por “vários atos de conduta anti-desportiva” e esta história tem mais do que uma ligação a Portugal.

Esse treinador era Fernando Santos, o último homem a levar a Grécia a uma competição de seleções. E o tal castigo repercutiu-se não em oito, mas em dois jogos de suspensão que o selecionador cumpriria quando já orientava Portugal. Sete anos volvidos, 95 jogos feitos e um Europeu e uma Liga das Nações conquistados, o ex-jogador que estudou para ser engenheiro e que virou treinador de futebol levou até um play-off o risco de falhar uma grande competição com a seleção nacional — o que coincidiu com uma desilusão na Grécia.

Reagindo à falha do país em qualificar-se para o Mundial de 2022, o presidente da Federação de Futebol Grega falou sobre o futuro da seleção que ficou sem selecionador, aproveitando para pegar numa antiga presença para ilustrar o que pretende para o futuro. “Gosto de disciplina e gostaria de ter um treinador disciplinado, como são os alemães, os italianos e os portugueses. É certo que o sucessor vai ser um estrangeiro. O Fernando Santos é o meu desejo”, disse Panagiotis Dimitriou, à “Open TV” do país.

O dirigente quereria aguardar até março, quando se realizarão as meias-finais e a final do play-off — Portugal defrontará a Turquia e, caso ganhe, a Itália ou a Macedónia do Norte —, pela hipótese de contratar o homem que treinou a Grécia entre 2010 e 2014. O plano seria deixar a seleção do país sem selecionador durante cerca de quatro meses, escreve o jornal “Ta Nea”. Mas, à semelhança de outras publicações no país, esse cenário seria o mais improvável.

Além de a seleção ficar tanto tempo sem alguém a pegar-lhe nas rédeas e indicar o caminho, em prol de figas cruzadas pelo presidente da federação para que Fernando Santos ficasse livre, após uma eventual não qualificação para o Mundial, o salário que o treinador, de 67 anos, recebe da Federação Portuguesa de Futebol seria incomportável para ser igualado pela federação grega.

  • A pergunta a que Fernando Santos não respondeu
    Crónica

    Sim, vamos estar no Mundial do Qatar, acredita Bruno Vieira Amaral. E, uma vez lá chegados, Portugal passará a primeira fase e, depois, assim que enfrentar uma seleção decentemente organizada, como o Uruguai, a Bélgica ou a Sérvia, será recambiado para Lisboa, não sem ter direito, pelo meio, aos devaneios místico-supersticiosos do selecionador que ainda no domingo, à pergunta concreta sobre os motivos pelos quais fruta de tanta qualidade dá um sumo tão amargo, fez um silêncio pinteriano, encolheu os ombros, torceu os lábios e respondeu com uma pergunta: “o que é que eu vou responder?”

  • Portugal ainda não saiu de 2016
    Portugal

    É preciso adaptar a ideia, refrear os receios e anseios, e dar espaço para que o talento emergente e mais que reconhecido dos jogadores portugueses apareça na seleção. Porque é deprimente olhar para todo este talento e perceber que a equipa não divergiu do sucesso de há cinco anos, escreve o treinador Blessing Lumueno, descrevendo a forma como Portugal hoje joga como um retrato cultural da sociedade portuguesa: que se conforma com os serviços mínimos, que se perde e retrai nos mesmos receios e anseios de um bebé que duvida se deve descer do sofá

  • E agora, já importa se jogamos bem ou mal?
    Tribuna 12:45

    A newsletter desta semana da Tribuna é sobre o ciclo da seleção nacional desde a conquista de 2016 e a espécie de funambulismo de expetativas: entre o que se vê a seleção jogar e o que realisticamente se pode esperar que jogue, dada a fortuna em ter a atual fornada de futebolistas disponíveis