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Mundial 2022: Turquia é o adversário de Portugal na meias-finais do play-off. Se vencer, seleção terá de bater Itália ou Macedónia do Norte

A seleção nacional já conhece o caminho que terá de fazer para estar no Catar: no renovado play-off, o qual distribui os últimos três bilhetes europeus para o Mundial 2022, Portugal defrontará a Turquia, em casa, e em caso de triunfo, enfrentará o vencedor do Itália - Macedónia do Norte, também em solo nacional

Pedro Barata

Gualter Fatia/Getty

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Desde que Mitrovic silenciou o Estádio da Luz, dando a vitória à Sérvia e relegando Portugal para o segundo lugar do grupo A, que a equipa de Fernando Santos ficou a saber que, para estar no Mundial 2022, teria de superar o renovado play-off de apuramento europeu. E agora a seleção nacional já sabe o que terá de fazer para marcar presença no Catar: derrotar, em casa, a Turquia, e depois bater o vencedor do Itália-Macedónia do Norte, num duelo que também se discutirá em Portugal.

Significa isto que pelo menos um dos últimos dois campeões da Europa (Portugal venceu em 2016 e Itália no passado verão) não estará no Mundial.

No sorteio realizado em Zurique, na sede da FIFA na Suíça, e que contou com a presença do antigo internacional Tiago, Portugal, como cabeça de série, sabia que evitava, na meia-final, a Escócia, a Itália, a Rússia, a Suécia e o País de Gales. Assim, nesse primeiro embate, a 24 ou 25 de março, será a Turquia a vir jogar a Portugal.

Os turcos, que foram eliminados na fase de grupos do último Europeu, ficaram em 2.º no grupo G de qualificação, atrás dos Países Baixos. Em 2002, ficaram em 3.º no Mundial da Coreia e Japão, mas desde aí não voltaram a estar na máxima competição planetária.

Em caso de vitória, o duelo decisivo para atribuir um dos três últimos bilhetes europeus para o Catar - num total de 13 - oporá Portugal à Itália ou à Macedónia do Norte.

Os transalpinos são os campeões europeus em título, tendo vencido o Mundial em quatro ocasiões, mas não têm um bom passado recente na competição. Eliminados na fase de grupos em 2010 e 2014, os italianos falharam a presença no torneio que se disputou em 2018, na Rússia. Por seu lado, a Macedónia do Norte vive um momento ascendente. Competindo como país independente, nunca esteve num Mundial, mas no último Europeu esteve, pela primeira vez, numa grande fase final.

Logo após ter sido conhecido o quadro do play-off, Roberto Mancini, selecionador italiano, não se mostrou muito satisfeito: "É um sorteio muito difícil para nós. A Macedónia do Norte é uma muito boa equipa e, se ganharmos, teremos de jogar ou na Turquia ou em Portugal, que são muito fortes", referiu o técnico.

Recorde-se que Portugal não falha uma fase final de um Mundial ou Europeu desde 1998, tendo estado nas últimas cinco edições de campeonatos do Mundo. Para estar presente nos Mundiais 2010 e 2014, bem como no Europeu 2012, a seleção nacional teve, também, de superar um play-off, ainda que com um formato distinto, contendo apenas uma eliminatória a duas mãos. Agora, para estar no Catar, Portugal terá de vencer duas partidas, cada uma em jogo único.

Quanto ao restante sorteio do play-off, a Escócia receberá a Ucrânia, com o vencedor desse duelo a ter um embate decisivo contra quem ganhar o País de Gales-Áustria. Já a Polónia, de Paulo Sousa, terá de visitar a Rússia, sendo que quem levar a melhor nesse duelo defrontará o vencedor do Suécia - República Checa.

As seleções europeias já apuradas para o Mundial, e às quais Portugal se quer juntar, são a Sérvia, a Espanha, a Suíça, a França, a Bélgica, a Dinamarca, os Países Baixos, a Croácia, a Inglaterra e a Alemanha. O Brasil e a Argentina também já garantiram a qualificação, sendo que o Catar, como anfitrião, tem desde o começo vaga assegurada.

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    Sim, vamos estar no Mundial do Qatar, acredita Bruno Vieira Amaral. E, uma vez lá chegados, Portugal passará a primeira fase e, depois, assim que enfrentar uma seleção decentemente organizada, como o Uruguai, a Bélgica ou a Sérvia, será recambiado para Lisboa, não sem ter direito, pelo meio, aos devaneios místico-supersticiosos do selecionador que ainda no domingo, à pergunta concreta sobre os motivos pelos quais fruta de tanta qualidade dá um sumo tão amargo, fez um silêncio pinteriano, encolheu os ombros, torceu os lábios e respondeu com uma pergunta: “o que é que eu vou responder?”

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    É preciso adaptar a ideia, refrear os receios e anseios, e dar espaço para que o talento emergente e mais que reconhecido dos jogadores portugueses apareça na seleção. Porque é deprimente olhar para todo este talento e perceber que a equipa não divergiu do sucesso de há cinco anos, escreve o treinador Blessing Lumueno, descrevendo a forma como Portugal hoje joga como um retrato cultural da sociedade portuguesa: que se conforma com os serviços mínimos, que se perde e retrai nos mesmos receios e anseios de um bebé que duvida se deve descer do sofá