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Fernando Santos garante que "não vale a pena falar na Itália" e apela à "concentração" para "vencer a Turquia"

O selecionador nacional reagiu, em declarações ao Canal 11, ao sorteio do play-off de apuramento para o Mundial 2022, o qual ditou que, para estar no Catar, Portugal terá de bater a Turquia e, depois, o vencedor do Itália-Macedónia do Norte

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Reação ao sorteio

"Não vale a pena começar a falar na Itália. O Mancini já disse que "se" eliminar a Macedónia do Norte é que vai jogar em Portugal ou na Turquia, portanto nós também temos de nos concentrar, em primeiro lugar, em vencer a Turquia. Esse é que é o jogo importante para, depois, estarmos na final e vencermos a final. Sorteio é sorteio, não vale a pena andarmos a discutir se esta ou aquela equipa era mais ou menos forte. Houve coisas positivas, nomeadamente jogarmos sempre em casa, mas para disputarmos a final em casa temos de vencer a Turquia. E o jogar em casa é importante não só pelo apoio do público, mas também porque evita viagens, o que nesta fase da época traz sempre dificuldade"

Análise à Turquia

"É uma equipa com muito bons jogadores. Sabemos que umas vezes funciona em pleno, enquanto coletivo, outras vezes não funciona assim, mas só em março poderemos perceber isso. Mas temos de contar com a Turquia. É verdade que a Noruega esteve perto do apuramento, tendo falhado com a Letónia em casa e a Turquia aproveitou. É uma equipa que coloca sempre muitas dificuldades aos adversários. Não interessa se não esteve tão bem no Europeu. No plano teórico, defrontamos duas equipa que jogam em 4-3-3, não tendo nós de pensar em adversários que podem jogar de outra forma, isto à partida, porque nada nos diz que a Turquia não poderá aparecer a jogar de forma diferente. Temos de olhar bem para a Turquia, conhecer bem a forma de jogar deles mas, principalmente, estarmos bem preparados para o que temos de fazer nestes jogos. Primeiro temos de bater a Turquia, e depois, vencendo, temos de ter o eventual jogo com Itália ou Macedónia do Norte bem preparado. Mas, essencialmente, temos de ter muito bem detalhado o que Portugal tem de fazer"

Como é o trabalho do selecionador até março?

"É trabalho de preparação, de análise, mas também pensar como serão os estágios, por exemplo. Em relação a jogadores, não vale a pena neste momento, é demasiado longe. Claro que há sempre um lote de convocáveis, isso é normal, mas estar a arquitectar neste momento... Falta um dado ainda que nós não conhecemos, que se prende com a questão dos cartões amarelos. Talvez os amarelos não contarão, mas os que estiverem castigados não poderão ir a jogo. Vamos ver, ainda não temos a certeza, esperemos que a FIFA ou a UEFA decidam. Isso também vai ser importante, porque se tiver dois jogadores que não podem actuar no primeiro encontro isso altera um pouco o meu raciocínio inicial. Sem essa questão, diria que 24 jogadores seria um número mais do que bom para os dois jogos. Com dois jogadores castigados no primeiro jogo, temos de ponderar bem essas questões"

Preferia que os jogos fossem já?

"Preferia que fossem mais rápido. O único aspeto em que março é mais favorável prende-se com o clima"

Mensagem para os portugueses

"Eu e os jogadores temos uma grande confiança na presença de Portugal no Mundial 2022"

  • A pergunta a que Fernando Santos não respondeu
    Crónica

    Sim, vamos estar no Mundial do Qatar, acredita Bruno Vieira Amaral. E, uma vez lá chegados, Portugal passará a primeira fase e, depois, assim que enfrentar uma seleção decentemente organizada, como o Uruguai, a Bélgica ou a Sérvia, será recambiado para Lisboa, não sem ter direito, pelo meio, aos devaneios místico-supersticiosos do selecionador que ainda no domingo, à pergunta concreta sobre os motivos pelos quais fruta de tanta qualidade dá um sumo tão amargo, fez um silêncio pinteriano, encolheu os ombros, torceu os lábios e respondeu com uma pergunta: “o que é que eu vou responder?”

  • Portugal ainda não saiu de 2016
    Portugal

    É preciso adaptar a ideia, refrear os receios e anseios, e dar espaço para que o talento emergente e mais que reconhecido dos jogadores portugueses apareça na seleção. Porque é deprimente olhar para todo este talento e perceber que a equipa não divergiu do sucesso de há cinco anos, escreve o treinador Blessing Lumueno, descrevendo a forma como Portugal hoje joga como um retrato cultural da sociedade portuguesa: que se conforma com os serviços mínimos, que se perde e retrai nos mesmos receios e anseios de um bebé que duvida se deve descer do sofá