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Fernando Santos: “No dia em que não cumprir um objetivo, eu saio sozinho. Nem há conversa”

Em entrevista à TVI, o selecionador nacional admitiu que falhar o apuramento para o Catar 2022 será sinónimo de adeus, pois falha o compromisso com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Fernando Santos disse ainda que não lhe ocorreu demitir-se e que tem o apoio de Fernando Gomes e de Cristiano Ronaldo

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O selecionador nacional anunciou esta noite que, se Portugal não for apurado para o Catar 2022, sairá pelo próprio pé.

Em entrevista à TVI, Fernando Santos garantiu que tem a confiança total de Fernando Gomes, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e de Cristiano Ronaldo, o capitão e a figura mais importante da equipa. Pelo meio da curta conversa, garantiu que a sua "relação pessoal e profissional com os jogadores é excelente".

Repetindo uma e outra vez que a seleção nacional estará no próximo Campeonato do Mundo, Fernando Santos admitiu ainda os problemas que a equipa tem tido, sinalizando a má primeira parte contra a Sérvia (que lhe lembrou aquela contra a Alemanha, no Euro 2020), e anunciou mudanças para o play-off, agendado para março. Os jogadores terão de estar mais confortáveis dentro de campo, revela.

Se falhar apuramento para o Catar 2022

"Saio por mim. É esse o meu compromisso com Fernando Gomes. No dia em que não cumprir um objetivo, eu saio sozinho. Estamos claro nesta questão. Nem precisamos de falar, nem há conversa."

Problema identificado

“Sempre que defrontámos equipas com defesas a 4, isso não se notou [problemas de jogo]. Temos tido grandes dificuldades com equipas com linhas de 5. Irlanda, Sérvia, Bélgica, Suíça… Tem a ver com a forma como enquadras [os jogadores], como se sentem confortáveis. Um dos problemas foi não encontrar soluções certas para sair com bola, para ter bola. É um obstáculo que nos têm criado.”

O que vai mudar até março?

“Não podemos dizer que tem sido ideal. Tem havido muita oscilação. Temos passado por momentos bons, a partir de 2018 para cá. Os [últimos] dois jogos foram maus. A última imagem é que a fica, é o que as pessoas recordam. De 2018 para cá, com esta nova geração de jogadores, com características diferentes da anterior, deixámos de jogar em 4-4-2, como fizemos em 2016 e 2018, e passamos a jogar em 4-3-3. A regularidade exibicional da equipa não foi constante. Houve alguns momentos altos e baixos e alguns baixos mesmo baixos, o que nunca tinha acontecido. Esta equipa já fez coisas muito boas também.

Apesar do pouco tempo que vou ter [estágio por alturas do play-off, em março], dois ou três dias, tenho a certeza que vou conseguir resolver [a situação], porque vamos alterar e colocar os jogadores de uma forma clara para eles, para que se sintam confortáveis, para poderem na realidade expressar toda a qualidade e muito talento que têm, independentemente do adversário."

Estilo de jogo ultrapassado

“Não concordo nada com isso. Respeito a análise dos comentadores, mas não tenho de concordar. A mensagem passa para os jogadores."

Pensou em demissão?

"De maneira nenhuma. Quando me comprometi com o doutor Fernando Gomes, em 2014, disse que, no dia que deixasse de cumprir um objetivo, eu saio."

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