Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

Imprensa brasileira analisa Paulo Sousa, o seu estilo ofensivo e as despedidas polémicas

Depois de anunciado o interesse do Flamengo em Paulo Sousa, choveram críticas à atitude do treinador português que ainda é selecionador da Polónia. No Brasil, analisa-se com cautela as possibilidades do técnico e fazem-se comparações inevitáveis com Jorge Jesus e Abel Ferreira

Tribuna Expresso

Adam Warzawa

Partilhar

Cezary Kulesza, atual presidente da Federação Polaca de Futebol, assegura que ainda não está à procura de um substituto para Paulo Sousa. O dirigente afirma que o treinador português tem ainda um compromisso com a federação que lidera. “Não posso quebrar as regras. Só poderei falar com outros candidatos quando o contrato for rescindido. Na quarta-feira iremos discutir esta situação”, disse o líder da federação polaca ao site brasileiro Globoesporte.

Entretanto, no Brasil, analisa-se um treinador que, para a maioria, é um desconhecido. Jorge Jesus e Abel Ferreira também o eram e isso não os impediu de serem bem-sucedidos. E há quem acredite no sucesso do antigo internacional português. Otávio, jogador brasileiro treinado por Sousa no Bordéus, crê que o estilo ofensivo do técnico vai vingar no Brasil.

O jogador compara o estilo de Jesus com o de Paulo Sousa e destaca as características que unem os dois técnicos: a valorização da posse de bola e a pressão intensa para a recuperar. “Ele procurava ter sempre a bola, criar as jogadas a partir da defesa e, quando perdíamos a bola, naqueles primeiros cinco segundos, fazer tudo para recuperá-la, não importa em que setor do campo”, disse Otávio ao jornalista Fernando Becker.

A passagem conturbada pela seleção polaca não ajuda a acreditar no sucesso de Paulo Sousa no Brasil. O site Globoesporte ecoa as manchetes da imprensa polaca e diz que Sousa “vai embora [da Polónia] sem deixar saudades”. Realça-se ainda a eliminação da seleção capitaneada por Robert Lewandowski na primeira fase do Euro 2020.

A imprensa brasileira refere também a quebra do compromisso com a federação polaca, ao pedir para sair três meses antes do jogo com a Rússia, que poderá ditar o afastamento ou a presença no Mundial do Catar. O Globoesporte refere que Sousa não conseguiu “imprimir a sua marca na equipa liderada em campo pelo artilheiro Lewandowski”.

Paulo Sousa esteve à frente da seleção polaca em 15 jogos. O português venceu apenas seis vezes, todas elas contra equipas pouco ambiciosas do futebol europeu: Albânia, Andorra e São Marino. No último Europeu, a Polónia perdeu com a Eslováquia e a Suécia, teve o seu momento de glória relativa ao empatar com a Espanha, mas acabou por terminar a fase de grupos no último lugar.

Numa carreira ainda curta, Paulo Sousa já passou, entre outros, por Inglaterra, pela Fiorentina, pelo Maccabi de Telavive – conquistou o título israelita, – pelo Basileia – com o qual foi campeão suíço, – pelos chineses do Tianjin Quanjian e, mais recentemente, pelo Bordéus e pela seleção polaca. Nestes últimos casos, as despedidas foram polémicas.

No Bordéus, Paulo Sousa veio a público lamentar a falta de reforços alegadamente prometidos. A direção do clube francês não gostou. Alguns meses depois, em agosto de 2020, Paulo Sousa exigiu o pagamento de uma indemnização e deixou o clube.