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No ‘Amigo Secreto’ de Natal do seu clube, Cherif Traorè recebeu uma banana podre e os companheiros riram-se: “Decidi não ficar calado”

O jogador de râguebi Cherif Traorè está no clube italiano Benetton desde 2015. Neste, que deverá ter sido o seu oitavo jantar de Natal com a equipa, foi alvo de um ataque racista. No presente que recebeu, sem remetente identificado, estava uma banana podre. Decidiu falar sobre o sucedido para evitar que volte a acontecer consigo ou com outros

Rita Meireles

Federugby

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Cherif Traorè, jogador da seleção italiana de râguebi e do clube Benetton, fez o que tantas outras pessoas estão a fazer ao longo dos últimos dias: foi ao jantar de Natal do local onde trabalha. Só que, neste caso, em vez de se divertir e passar um bom momento com os colegas, acabou por passar por um episódio racista.

Numa troca de presentes de ‘Amigo Secreto’, o jogador recebeu uma banana podre da parte de um dos seus companheiros de equipa. “Quando chegou a minha vez, dentro do meu presente encontrei uma banana. Uma banana podre, dentro de um saco molhado”, contou na sua conta do Instagram, numa publicação que já não está disponível. Traorè, que nasceu na Guiné, explicou que o que mais o magoou no “gesto ofensivo” foi como alguns dos seus companheiros de equipa reagiram com risos, “como se tudo fosse normal”.

O jogador de 28 anos está no clube desde 2015 e chegou a Itália com apenas sete anos. Ainda um pouco incrédulo, decidiu falar publicamente sobre o ocorrido para garantir que episódios como este não se voltam a repetir

“Estou habituado, ou tive de me habituar. Tenho que pôr uma cara corajosa sempre que ouço piadas racistas para tentar não odiar as pessoas próximas de mim. Mas ontem foi diferente. Felizmente, alguns amigos, especialmente estrangeiros, tentaram apoiar-me. Fora de Itália, um gesto como este é severamente condenado. Estive acordado toda a noite. Jovens de diferentes origens assistiram a este amigo secreto. Decidi não ficar calado desta vez para garantir que episódios como este não voltem a acontecer, para evitar que outras pessoas se encontrem na minha situação atual no futuro. E esperando que o remetente aprenda uma lição”, disse.

Desde que fez a publicação, o Benetton emitiu uma declaração onde condena qualquer expressão de racismo, mas não menciona uma investigação ou responsabilização dos colegas que tiveram a atitude racista.

“O Benetton Rugby gostaria de reiterar que sempre condenou com a máxima firmeza qualquer expressão de racismo e/ou forma de discriminação. Não faz parte da nossa cultura e não representa a nossa identidade e os nossos valores. Sempre o provámos com atos, não apenas com palavras, e continuaremos a apoiá-lo fortemente. Comportamentos semelhantes não têm nada a ver com o desporto e, face a episódios como este, o Benetton estará sempre do lado do respeito pelas pessoas, a sua cultura, etnia, fé e dignidade”, lê-se.