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Sérgio Conceição: “Não há grandes diferenças do ataque móvel de agora e com o Paulinho, um 9 puro com comportamentos de 10”

O treinador do FC Porto lançou o clássico com o Sporting, que se joga no sábado, no Estádio do Dragão, a partir das 20h30 (Sport TV1). "É um jogo de quatro pontos e meio"

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Carlos Rodrigues/Getty

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Sporting

“Os jogos são sempre importantes, não sabemos o mais importante para depois definir o campeão. Jogos entre candidatos têm essa particularidade que eu falo: três pontos que o adversário não ganha e três pontos que podemos ganhar, se vencermos o jogo. Nesta altura da época, penso que não vai decidir nada, é um jogo de quatro pontos e meio, no fundo.”

Barriga meio cheia

“O meu alerta [referência a barriga meia cheia no jogo com Vizela] é diário. Temos o jogo como referência, o trabalho da semana é para depois tentarmos ganhar o jogo e dentro daquilo que foi o trabalho e obviamente a dinâmica da equipa. Quando o trabalho não é bem feito por alguns motivos, não é que, de um dia para o outro, não o sabemos fazer, há o mérito e estamos a jogar contra um adversário com valia, que foi capaz de nos criar dificuldades, e há algum demérito nosso. Foi nesse sentido as palavras com Vizela.”

Barriga meio cheia II

“Os verdadeiros campeões são os jogadores e equipas que conseguem, através daquilo que se vai ganhando e produzindo, estarem ainda mais motivados para o próximo desafio. O nosso próximo desafio é o treino da manhã e o jogo à noite. Andamos sempre à procura dessa perfeição, naquilo que é a nossa forma de jogar e a nossa forma de estar, o estado de espírito é muito importante para se conseguir em campo o que trabalhamos, da forma que pensamos que é a ideal, que deu êxito no passado e tem de dar no futuro, faz parte do ADN da equipa e do FC Porto.

Sem Matheus Nunes, o Sporting fica mais imprevisível de preparar?

"O Matheus Nunes era um jogador bastante importante na dinâmica do Sporting. Não estará ele, estará outro. Ficamos obviamente mais pobres, sem os grandes jogadores que saem, mas é normal no campeonato em que estamos inseridos. O modelo de jogo do Sporting não é imprevisível, conseguimos dissecar ao máximo o que é a estrutura do Sporting, mas depois é preciso trabalhar e estar muito atentos ao que fazem tão bem. Dentro dessa dinâmica, sim, torna-se mais imprevisível dependendo do que são as caraterísticas dos jogadores em determinadas posições dos diferentes setores da equipa. Não temos Matheus Nunes, podemos ter Morita, Pedro Gonçalves, Mateus Fernandes, que é um jovem com muita qualidade. Preparamo-nos para isso.”

Cartão amarelo em Vizela

“Nem sabia que era para mim o amarelo, estava a falar com um jogador, com o Pepe salvo erro. Ele tem toda a razão, estou quase na linha lateral, nem me apercebi. Era uma coisa se chegasse lá ‘olhe, amigo, área tecnica’, mas eles vêm rapidamente com o cartão. Perguntei para quem era. ‘É para si, mister’. É tão normal [risos]… Foi isto. Foi por estar a falar com o Pepe. Há uma tentativa de acalmar os bancos, mas acalmar em que sentido? Se o árbitro ou o quarto árbitro tiverem essa comunicação com o banco e avisarem, eu vou para a casota… (...) Tem que haver regras, mas se não há faltas de respeito e insultos, e é só porque se está a viver o jogo, acho que é um exagero.”

A ausência de referência no ataque do Sporting, com Edwards, complica?

“O Paulinho, apesar de ser um 9 puro, tem comportamentos de um 10. O Paulinho não é um jogador que está constantemente entre os centrais, é um jogador móvel, que procurava muito bem o espaço nas costas da linha defensiva. Não há grandes diferenças do ataque móvel de agora e com o Paulinho, era móvel na mesma.”

Marcano vs. David Carmo (rótulo de 20 milhões)

“Isso dos rótulos não gosto nada. Às vezes colam-se rótulos a jogadores e treinadores que não correspondem à realidade. O David Carmo é um jogador do FC Porto, está disponível, está a treinar. O Marcano está a treinar depois de uma travessia no deserto, com muito sofrimento e com um sacrifício incrível. Há dois meses davam-no como acabado para o futebol. Tenho de olhar para aquilo que é o momento dos jogadores, o que fazem durante a semana e escolher os dois melhores entre Pepe, Marcano, David Carmo, Fábio Cardoso e João Marcelo. Estou extremamente bem servido de defesas centrais, cabe-me a mim escolher, mas esse é o meu trabalho e pagam-me e bem para isso.”

Conversa com Gabriel Veron depois do jogo com Vizela

“É um jogador extremamente rápido, com um timing fantástico a atacar a profundidade. É um trabalho que vamos fazendo, se há a intenção fico satisfeito. Quando tentam fazer coisas diferentes e com os tais vícios… Se eu posso fazer um passe com a parte de dentro do pé [faz gesto com a mão], não vou fazer com a sola. Fica mais bonito no Brasil, mas aqui ou em todo o lado é menos eficaz. É nesse sentido que eu estava a falar com o Veron no fim do jogo. Ele tem que perceber que estamos num campeonato em que todos os momentos e todos os pormenores são importantes para se ganhar jogos.”

Mercado

“Fica ali ao pé do nosso cão, o Dragão. Fica à porta do Olival, normalmente não falo do mercado, muito menos antes dos jogos. Tenho um plantel capaz, mas queremos sempre mais, os treinadores. Mesmo se saísse quem saiu e não tivesse entrado ninguém, eu continuaria com um plantel capaz, incluindo com dois ou três da equipa B. Agora capaz para que? É isso… não vou responder.”