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Scotty e Shareef são também Pippen e O’Neal, mas não temem as comparações com os pais e querem um lugar na NBA

São filhos de antigas estrelas da NBA - e que estrelas - mas procuram agora encontrar os seus caminhos na liga norte-americana. E ainda que para um as coisas estejam mais claras do que para o outro, os primeiros passos de Scotty Pippen Jr. e Shareef O’Neal a caminho da melhor liga do mundo foram dados com os Los Angeles Lakers

Rita Meireles

Ethan Miller

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Quando ouvimos os nomes Pippen e O’Neal no universo da NBA saltam logo à memória seis campeonatos conquistados pelos Chicago Bulls ou os três pelos Los Angeles Lakers e um pelos Miami Heat, milhares de pontos, uma longa lista de recordes e o local onde só cabem as lendas do basquetebol: o hall of fame.

E talvez isso nunca mude, mas agora há quem queira dar uma outra história aos dois apelidos: Scotty Pippen Jr e Shareef O’Neal.

O primeiro, filho de Scottie Pippen, começou logo por mudar a forma como escreve o seu nome para se diferenciar do pai, mas o apelido não engana. Depois de três anos no basquetebol universitário, em Vanderbilt, chegou ao draft de 2022 e não ouviu o seu nome ser chamado. O que não o impediu de assinar um contrato two-way com os Lakers, até porque foi um dos jogadores que deu nas vistas no draft combine, conjunto de treinos de jovens jogadores ao qual assistem os representantes dos clubes da liga.

Se os jogos contra o pai forem indicativos de alguma coisa, então prevê-se uma carreira risonha: “O meu pai deixou de jogar comigo. Eu estava a desgastá-lo. Costumava ganhar e ele fingia lesões e coisas assim. Não me dava crédito, por isso deixámos de jogar há algum tempo”, disse Pippen Jr durante o media day dos Lakers. Ao contrário do pai, um extremo conhecido pela sua capacidade defensiva, o mais jovem dos Pippen é um base, construtor de jogo.

No caso de Shareef O’Neal, o percurso têm sido mais sinuoso. O jogador marcou presença na Summer League, vestindo as cores dos Lakers, mas ainda não conseguiu lugar em nenhuma equipa da NBA.

Enquanto miúdo, era um dos postes mais promissores do país. Depois de inicialmente aceitar jogar pela Universidade do Arizona, O’Neal mudou de ideias na sequência de um caso de corrupção que envolveu aquela estrutura. Acabou por se comprometer com outra equipa norte-americana histórica, os UCLA Bruins, em Los Angeles. O primeiro ano ficou marcado por uma cirurgia ao coração, que o impediu de jogar. Seguiu-se nova mudança, desta vez para Louisiana, seguindo os passos do pai, onde o percurso voltou a ser atribulado. Uma lesão no pé obrigou-o a mais um período de ausência da competição.

“A maior diferença [entre eles e os jogadores cujos pais não eram jogadores] é a pressão. Eu diria que para muitos desses [outros] miúdos que estão a crescer é muito mais fácil simplesmente deixarem o basquetebol", disse Scotty ao “The Guardian”. E quando confrontado com a ideia de poder ter escolhido qualquer outra profissão, Shareef acrescentou: “O problema é que se eu não jogasse basquetebol com um pai hall of famer, as pessoas iriam continuar a dizer coisas malucas”.

Durante a Summer League, os Lakers fizeram cinco jogos, Pippen jogou-os todos e O’Neal falhou apenas um. No total, o primeiro assinou 59 pontos, enquanto que o segundo somou 19. Nesta altura o caminho é muito mais claro para Scotty, que além de já ter contrato assegurado, teve uma boa prestação durante o torneio. A impressão que ficou de O’Neal é que ainda está a tentar reencontrar o seu jogo depois da lesão no pé que sofreu. Os South Bay Lakers, equipa da G League umbilicalmente ligada aos 17 vezes campeões da NBA, serão a sua melhor opção para continuar a crescer.

O que não será um problema para nenhum dos dois são as inevitáveis comparações, garantem. "Sei que vai estar sempre lá, a comparação", disse O'Neal à ESPN em junho. "Cada criança vai ser comparada ao seu pai, que faz a mesma coisa que eles. Isso vai estar lá, não me incomoda".