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Expectativa? “É bom que haja”. E pressão? “Sem ela isto não serviria para nada”: assim vai entrar Portugal no Mundial de andebol

Antes de arrancar a quinta grande competição como selecionador nacional, Paulo Jorge Pereira conta à Tribuna Expresso que a segunda qualificação seguida para um Campeonato do Mundo é o produto final do esforço de muita gente que reergueu a modalidade em Portugal. O treinador, que não poderá estar no banco na estreia esta quinta-feira, contra a Islândia (19h30, RTP2), explica como a seleção “lida bem” com o que já se espera dela

Diogo Pombo

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/Getty

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Foram quase 15 anos áridos e desérticos. Entre 2006 e 2020, era quase preferível pedir aos mais desatentos que continuassem a olhar para o lado e não reparassem na esforçada dedicação com que o andebol português se mantinha nas catacumbas da organização: com a ajuda de um hiato geracional de talento, os arrufos entre clubes e federação, a criação de dois campeonatos paralelos e a falta de investimento colocaram a modalidade nos eixos do descrédito em Portugal. Enquanto o rolamento se fez neles, a seleção viu ao longe todos os torneios internacionais durante década e meia.

Depois, lenta mas seguramente, veio a estabilidade no brotar de novos pares de mãos muitos enjeitados para o andebol, trazida, em parte, pelo investimento dos clubes grandes, num compêndio de fatores (explicados com densidade neste outro texto) que não se limita, mas inclui Paulo Jorge Pereira. Carismático, de sotaque nortenho e firme nas palavras, é o treinador que lidera a seleção nacional desde 2017, três anos antes das benfeitorias do “trabalho de muita gente” começarem a elevar o “fim de tudo” às presenças consecutivas em fase finais de grandes competições.

É assim que o selecionador, aos 57 anos, resume a equipa de Portugal. Ciente está de como o alcançado pela seleção, mesmo tão elogiável, “não é normal”: em 2020, no primeiro torneio com ele, alcançou o 6.º lugar no Europeu e a melhor classificação de sempre; em 2021 repetiu a proeza em Mundiais, subindo a prestação para a 10.ª posição; no mesmo ano, logrou um 9.º posto na estreia nos Jogos Olímpico, antes da agridoçura de volta com um 19.º lugar do Euro 2022. Mesmo num país que só atenta ao andebol depois de nutridas outras modalidades, onde os dinheiros não abundam, os últimos quatro anos quase normalizaram que se espere feitos bonitos desta fornada de jogadores.

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