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A seleção convocou seis atletas que irão aos Mundiais de kickboxing sem custos, mas dezenas de outros estão em campanhas de crowdfunding

Meia dúzia de atletas vão representar Portugal no Campeonato do Mundo da Turquia, em outubro, mas muitos outros, não selecionados, estão a pedir fundos em plataformas de crowdfunding para também conseguirem ir à competição. A Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai lamenta que recebe cerca de 100 mil euros do Governo para tutelar duas modalidades e só tem três funcionários a tempo inteiro

Lusa

CHRISTOPHE ARCHAMBAULT/Getty

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Os atletas de kickboxing que iniciaram campanhas de crowdfunding para participar no Campeonato do Mundo da Turquia, em outubro, não integram a “seleção A” de Portugal no evento, que tem “todas as despesas pagas”, garantiu o presidente da federação.

“A nossa seleção A, aqueles atletas que sempre foram medalhados, que sempre contribuíram para o espólio desportivo de Portugal, evidentemente que jamais pagaram ou terão que pagar para representar o país. Nunca aconteceu”, afiançou à Lusa Nuno Margaça.

A plataforma Gofundme revelou que, “sem apoios oficiais, dezenas de atletas portugueses pedem ajuda para participar nos Mundiais de Kickboxing através do crowdfunding”, contudo nenhum deles integra as escolhas prioritárias da seleção, que convocou seis elementos, “obviamente com todas as despesas pagas”, para o evento que vai decorrer de 31 de outubro a 6 de novembro.

“Tutelamos duas modalidades que normalmente têm os campeonatos em Abu Dhabi, Malásia, Tailândia ou Turquia, países bastante longe. Evidentemente que os que vão aos campeonatos são atletas totalmente suportados por nós, como sempre foram”, vincou o dirigente.

Gonçalo Noites (K1, -70kg), João Curva (K1, -54kg), Luís Santos (K1, -75kg), Matilde Melo (K1, -55kg), Matilde Rodrigues (K1, -57kg) e Tiago Melo (K1, -57kg) são os competidores selecionados para competirão em Kemer, Antália.

Ainda assim, Nuno Margaça contou que a direção recebeu a informação técnica de que existem praticantes “que já têm algum critério de qualidade e que poderão acompanhar todo o trabalho da seleção, podendo representar Portugal desde que paguem as suas deslocações”.

Sem saber precisar o número dos incluídos nesta avaliação dos selecionadores, o dirigente recorda que “é completamente impossível a federação pagar uma viagem a 30, 25, 50 ou 70 atletas”, uma vez que não tem meios para isso.

“O orçamento da federação ficava completamente esgotado logo numa ida a um campeonato”, justificou.

Nuno Margaça divulgou que a federação recebe do Estado cerca de 100 mil euros para tutelar duas modalidades e que um só evento organizado em Portugal pode implicar um gasto de cerca de 20 mil euros em termos de organização e logística.

“Para uma federação que recebe 100 mil euros, tem três empregados a tempo inteiro e organiza oito provas nacionais é completamente impossível conseguir levar ou contribuir para todos irem a esta prova lá fora”, reforçou.

O presidente deu o exemplo de outras federações portuguesas a fazer o mesmo e expôs “muitos outros países” a viverem situações semelhantes, em que alguns desportistas são pagos pelas federações e outros participam nos maiores eventos porque “querem investir na sua performance desportiva e representar ou acompanhar todo o trabalho de uma seleção”.