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Seleção chinesa de voleibol joga de máscara e lança a discussão sobre a política “zero-covid” no país

Enquanto que na maioria dos países já se tenta viver da forma mais parecida com a época pré-covid possível, na China o objetivo continua a ser não ter qualquer caso da doença e por isso todo o cuidado é pouco. Foi isso que levou a seleção chinesa de voleibol a jogar de máscara, momentos antes de ser questionado se isso seria saudável

Rita Meireles

TED ALJIBE

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A pandemia de covid-19 teve início em 2020 e, desde então, o mundo já assistiu a várias fases. Dos confinamentos até ao alívio total das medidas, passando pelas proibições e regressos de uma série de coisas como os ajuntamentos, a obrigatoriedade de máscaras ou as viagens. Mas há um sítio onde a estratégia para combater o vírus ainda passa pela tolerância zero: a China.

Foi isso que ficou claro durante um jogo de voleibol da seleção feminina chinesa, quando as jogadoras entraram em campo e jogaram vários minutos com máscaras N95 colocadas. Depois de ter sido questionada a saúde das jogadoras em nome da estratégia “zero-covid”, a equipa tirou as máscaras e conseguiu chegar à vitória frente à seleção do Irão.

A Associação de Voleibol da China pediu mais tarde desculpa, dizendo que a decisão foi tomada devido a uma "falta de experiência". Mas muitos permaneceram críticos, com um adepto a dizer nas redes sociais que o jogo foi um claro exemplo de que a obrigatoriedade do uso de máscaras da China está a ir "demasiado longe".

"Os nossos líderes estão a levar as coisas longe demais - é tão simples quanto isso", escreveu o adepto de acordo com a “BBC News”.

As críticas não ficaram por aí. As fotos do jogo começaram a circular rapidamente nas redes sociais e desencadearam um coro de críticas, com mais de 16 milhões de opiniões sobre o tema no “Weibo”, a rede social mais utilizada na China.

"Será a saúde ou o desempenho mais importante? Precisamos de assumir alguma responsabilidade para com os nossos atletas", disse um cidadão. "Por quanto tempo continuará esta chamada farsa de prevenção epidémica? Queremos tornar-nos a piada de todos os outros países?”, questionou outro.

Foi também nas redes sociais que a Associação justificou o sucedido, explicando que tinham tido conhecimento de jogadoras infetadas com covid-19 em outras equipas e que tinham sido relatados alguns sintomas entre os membros da equipa chinesa. Para evitar a propagação, exigiram que as suas jogadoras usassem máscaras ao entrar no local do jogo. Mas como não sabiam se as jogadoras tinham de usar máscaras em campo, a equipa manteve-as durante a primeira parte.

Esta não é a primeira vez que se assiste a um jogo em que os atletas usam máscara. No início deste ano, num jogo de hóquei no gelo entre o Canadá e o Comité Olímpico Russo ambos os lados usaram máscaras, preocupados com os resultados de alguns testes pendentes. Mais tarde, retiraram as máscaras ao ser noticiado que os testes tinham dado negativo.