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Vento, água, falta de velocidade: o mau dia de Tiger Woods no regresso ao British Open

O bicampeão do torneio de St. Andrews, na Escócia (a realizar a 150.ª edição), ficou-se pelas seis tacadas acima do par depois de ter começado a primeira ronda com um bogey duplo no primeiro buraco. Woods procura recuperar a forma depois do acidente de carro em 2021

Carlos Luís Ramalhão

David Davies - PA Images

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Tiger Woods, antigo vencedor do British Open, em St. Andrews, na Escócia, e lenda viva do golfe, não conseguiu melhor do que acabar com seis tacadas acima do par no primeiro dia de competição, depois de ter começado a ronda inaugural do evento com um bogey duplo no primeiro buraco.

Não faltou apoio ao norte-americano na capital do golfe. Mas a jornada do tigre esteve longe de ser um passeio vitorioso. De acordo com o “New York Times”, esta foi uma das piores rondas de Woods num major: seis acima do par 78, a lembrança do quanto as coisas mudaram nos últimos anos para o homem que dominava a prova.

Woods, que venceu o Open em 2000 e 2005, arrancou o maior aplauso de quinta-feira da multidão próxima do primeiro buraco. Fez aquilo a que chamou “uma pancada perfeita”. “Eu disse a mim próprio para não bater por baixo e não fazer ‘blade’. Não fiz nenhuma das duas coisas, ainda assim atingi a água”, admitiu o americano. A bola batida por Woods ressaltou na relva e caiu num pequeno ribeiro. Woods falhou um putt curto e começou o torneio com um duplo bogey (quando se conclui um buraco com uma tacada acima do par).

Foi um mau presságio para o veterano, que continuou a lutar contra o vento, com bogeys no terceiro e no quarto buracos e repetindo um duplo bogey antes de conseguir os primeiros birdies (uma tacada abaixo do par) da ronda. Falso alarme, uma vez que Woods continuou a deixar chips e putts importantes longe dos alvos.

Keyur Khamar/Getty

O golfista referiu a “pontuação total” como o mais desapontante no seu dia. “Sim, tive pouca velocidade no green, mas não senti que tivesse jogado assim tão mal. Acabei em maus locais e tive coisas estranhas a acontecerem-me. E é a vida. (…) Este campo de golfe é assim. Como eu disse, tive as minhas hipóteses de dar a volta (…), mas não o fiz”, admitiu.

Escreve o jornal norte-americano que irá ser preciso uma ronda sensacional esta sexta-feira para que Tiger Woods fique entre os primeiros 70 classificados. “Parece que vou ter de fazer 66 amanhã [esta sexta-feira] para ter alguma hipótese. Obviamente, já foi feito. Alguns fizeram-no hoje e eu tenho a responsabilidade de fazê-lo amanhã, é seguir em frente”, declarou Tiger Woods, que está a 14 pancadas do líder, o compatriota Cameron Young, de 25 anos.

A primeira vez de Tiger em St. Andrews foi aos 19 anos, em 1995. Era então um amador a habituar-se ainda aos encantos dos campos de golfe. Tinha sido essa a sua pior atuação até quinta-feira. Dezasseis anos depois de ter conquistado o seu primeiro British Open, Woods continua a ser a principal estrela do golfe, ainda que apenas em part time. O multipremiado golfista ainda procura a forma depois do acidente rodoviário de fevereiro de 2021, que lhe provocou lesões graves e fez com que os médicos chegassem a considerar amputar-lhe a perna direita.

O regresso ao palco mítico de St. Andrews terá sido uma das suas principais motivações no momento em que decidiu voltar ao golfe. A participação nos Masters deste ano foi uma decisão tardia. Nos Campeonatos PGA de maio, Woods acabou por se retirar com dores antes da última ronda, na qual tinha conseguido um 79. O golfista terá escolhido saltar o US Open para poder preparar-se para St. Andrews. O resultado não terá sido o esperado.

Ainda assim, Tiger Woods considera o seu regresso ao green escocês “muito, muito significativo”. “Esteve sempre no calendário para que, se tudo corresse bem, eu pudesse participar. E cá estou. Apenas não o tenho feito muito bem”, disse o californiano de 46 anos, aproveitando para elogiar os fãs, alguns deles com tigres de peluche nas mãos: “Foram absolutamente fantásticos”.