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Al-Khelaïfi, presidente do PSG, vai além-futebol e “quer libertar” o padel, onde criou um circuito paralelo com maior prize money

Ale Galán, atual líder do ranking mundial de padel do mundo e presidente da Associação de Jogadores, está ao lado de Nasser Al-Khelaifi, que desafiou a World Padel Tour ao criar a Premier Padel, circuito paralelo que originou um cisma dentro da modalidade

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Aurelien Meunier - PSG

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Nasser Al-Khelaïfi é mais conhecido por ser o milionário dono do Paris Saint-Germain e principal cara da Qatar Sports Investment, mas é também um entusiasta do padel e, com o poder financeiro que tem, propõe-se revolucionar a modalidade. Com a chegada da Premier Padel a Roland Garros, Ale Galán, número um do mundo, elogia a iniciativa de Al-Khelaïfi: “Ele quer libertar o padel”.

Além de ser o melhor jogador de padel da atualidade, Galán é também presidente da Associação de Jogadores, o que lhe confere um estatuto considerável para falar sobre a questão que tem dividido a modalidade entre aqueles que apoiam a tradicional World Padel Tour e os que aplaudem a Premier Padel, de Nasser Al-Khelaïfi.

O novo circuito vai para a terceira prova e logo no mítico palco de Roland-Garros. Escreve o jornal espanhol “El Mundo” que a modalidade não para de crescer. Comparativamente à World Padel Tour, os prémios são muito maiores. Em entrevista ao mesmo jornal, o madrileno Ale Galán mostra-se agradado com o projeto e conta como surgiu a oportunidade de criar um novo circuito de padel durante o último Mundial da modalidade, em novembro do ano passado.

“Luigi Carraro, presidente da Federação Internacional de Padel, sabia que estávamos a criar a Associação de Jogadores e propôs-me um projeto. Ele tinha encontrado uns parceiros para criar um circuito profissional diferente, com uma visão de crescimento para o desporto, de internacionalização e de fazer com que o padel seja modalidade olímpica”, explicou Galán

DeFodi Images

Foi nessa altura que o jogador espanhol conheceu Al-Khelaïfi. “Gostámos da hospitalidade com que recebeu todos”, admite. “Vimos o respeito que tinha por nós e a motivação com o projeto. Foi algo criado ali, não estava a ser trabalhado antes. (…) Esta era a proposta: libertar a modalidade com as condições que merecemos”, explica o presidente da Associação de Jogadores de Padel.

A par dos prémios, segundo Galán, a Premier ofereceu outra coisa: “Liberdade de decidir se queremos jogar os torneios ou não. O futuro será assim”. O número um mundial não quer que o padel seja visto como uma modalidade menor: “Que cresça e que não seja um desporto de amadores com sede em Espanha. Profissionalizá-lo e que as pessoas, com todo o esforço que fazem, possam viver dele e não perder dinheiro”.

Perante as evidentes diferenças financeiras, explica o “El Mundo” que a maioria do top 30 do padel mundial já se mudou para os majors da Premier Padel, o que provocou acusações da parte da World Padel Tour, que considerava ter um contrato de exclusividade com os jogadores - uma disputa semelhante à que por estes dias tem afetado o golfe, entre o PGA Tour e o LIV, o novo circuito financiado pelo Fundo Público de Investimento da Arábia Saudita.

Galán não esclarece a parte “exclusiva”, mas admite que existe um contrato com o organismo. “Estamos a dar 100%, ganhando e chegando às finais, cumprindo o acordado. (…) Não se pode negar que estamos a cumprir com o que assinámos”, faz questão de dizer.