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Reino Unido não vai tomar medidas em relação à nacionalidade de Sir Mo Farah: “Deixa-me aliviado”

Sir Mo Farah teve a coragem de contar publicamente a sua história de vida: foi vítima de tráfico humano, obrigado a mudar de nome e a trabalhar. O problema é que a revelação pôs em causa a obtenção da nacionalidade britânica e poderia, incrivelmente, levar o Governo do Reino Unido a tomar medidas. O atleta sabe agora que isso não vai acontecer

Rita Meireles

Matthias Hangst

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Sir Mo Farah contou a história da sua vida à BBC. A versão de que chegou ao Reino Unido como refugiado e acompanhado pela família não é verdadeira: o que realmente aconteceu é que chegou ao país de forma ilegal com uma mulher que nem conhecia, foi forçado a trabalhar como empregado doméstico e recebeu um novo nome. Sir Mo Farah nasceu Hussein Abdi Kahin.

Ao contar esta história publicamente, percebeu-se que na prática recebeu a nacionalidade britânica de forma ilegal, o que poderia levar o governo do Reino Unido a acusa-lo de fraude.

As hipóteses de que isso acontecesse eram pequenas e, na passada terça-feira, confirmou-se isso mesmo. Segundo avançou a BBC, as autoridades britânicas decidiram não tomar medidas em relação à nacionalidade de Sir Mo Farah por considerar que as crianças não são cúmplices quando a sua cidadania é obtida por fraude.

"Deixa-me aliviado", reagiu o atleta num programa da BBC Radio 4. “Este é o meu país. Se não fosse o [meu professor de educação física] Alan e as pessoas que me apoiaram durante toda a minha infância, talvez eu nem sequer tivesse coragem de o fazer. Há muitas pessoas a quem devo a minha vida, particularmente a minha esposa, que me apoiou muito ao longo da minha carreira e que me deu forças para vir falar sobre isto, dizendo-me que não há nenhum problema em fazê-lo”.

Colocado de lado este medo de ver retirada a sua nacionalidade, questão abordada quando contou a sua história no documentário - paradoxal tendo em consideração tudo aquilo que venceu pela bandeira britânica -, Sir Mo Farah pode agora focar-se apenas no lado positivo. Desde segunda-feira, as mensagens de apoio têm sido uma constante. O atleta considera "incrível" que pessoas dos quatro cantos do mundo estejam a reagir de forma positiva às suas revelações.

“Foi sempre a minha história. Nem sequer me sentia à vontade para falar sobre ela com a minha família. Não podia falar sobre o assunto publicamente. Demorei muito tempo para chegar aqui, mas estou contente por ter feito este documentário para mostrar às pessoas a realidade do que realmente me aconteceu quando era criança", disse.