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Campeã olímpica Bronte Campbell pede que se ouça a “marginalizada” comunidade trans sobre a criação de uma categoria aberta de natação

A nadadora australiana diz que as pessoas trans têm de fazer parte das conversações. Campbell afirma que a Federação Internacional de Natação “tem de equilibrar a inclusão e os altos desempenhos”, depois da FINA impedir as atletas trans de participar em competições internacionais

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Delly Carr/Getty

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A campeã olímpica no Rio e Tóquio Bronte Campbell pediu à Federação Internacional de Natação para consultar a comunidade trans acerca da criação de uma categoria aberta de natação. Campbell considera que as pessoas trans devem fazer parte das conversações e que a FINA “tem de equilibrar a inclusão e os altos desempenhos”.

Em declarações à AP australiana, a nadadora considera que a comunidade tem sido “inacreditavelmente marginalizada” no desenvolvimento de uma categoria que promova a inclusão de género.

Em junho, a FINA tornou-se a primeira grande organização desportiva a restringir formalmente a participação de mulheres trans nas competições femininas de elite. As atletas transgénero que tenham completado qualquer fase da puberdade masculina estão assim proibidas de competir em eventos daquela federação, o que inclui os Campeonatos do Mundo e os eventos de natação, mergulho e polo aquático nos Jogos Olímpicos.

Ao mesmo tempo. a FINA propôs a criação de uma categoria aberta em que pode competir qualquer atleta “que cumpra os critérios de elegibilidade para esse evento, (…) independentemente do sexo, género legal ou identidade de género”. Campbell considera que “é importante considerar todas as opções” nesta fase embrionária do projeto. “É algo em que temos de envolver a comunidade transg. Temos de perceber o que querem fazer nesta situação”, disse a campeã olímpica.

Antes disso, a irmã mais velha de Bronte, Cate, vencedora de quatro medalhas de ouro olímpico, já se tinha dirigido à FINA, apoiando a política de inclusão de género, afirmando que esta mantém a “justiça”, vital para o desporto de elite. De início, diz o “The Guardian”, Bronte estaria relutante em concordar com a irmã: “Eu apoio-a sempre, mas o facto de eu e a Cate sermos irmãs não significa que tenhamos de pensar o mesmo”.

“É um problema complicado. Estamos a falar de uma comunidade que tem sido inacreditavelmente marginalizada ao longo dos anos e continua a enfrentar [essa marginalização]. Por isso, é importante assegurarmo-nos de que estamos a fazer algo para proteger essas pessoas, também”, concluiu a nadadora de 28 anos.