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Os 70 anos de Carlos Queiroz, o mestre polémico da ‘Geração de Ouro’ que ainda não se fartou de futebol

Mestre por trás da fornada de talento que deu um par de Mundiais sub-20 a Portugal, descrito à Tribuna Expresso por Nelo Vingada, sua sombra durante muito tempo, como alguém muito racional, metódico e super organizado, já são sete décadas de vida de um dos maiores treinadores da história do futebol português. Sem papas na língua e com um “caráter enorme”, este é um perfil que resume a carreira de Carlos Queiroz

Alexandra Simões de Abreu

Tony Marshall - EMPICS

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Homem à frente do seu tempo e grande conhecedor de futebol, vaidoso e arrogante, ou tudo junto?

Quando o nome Carlos Queiroz surge na boca de alguém, as opiniões tendem a dividir-se. Uns admiram-no como treinador, garantem ter sido ele quem, há mais de três décadas, pôs ordem na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e abriu caminho para o sucesso de todas as seleções, mas acabou incompreendido e maltratado; outros, acusam-no de ser vaidoso e arrogante, afirmam que só serve para treinar jovens e recusam engrandecer-lhe as conquistas, preferindo apontar-lhe sempre as falhas.

De uma coisa ele não tem dúvidas e disse-o ao jornal ‘Record’: “Riade não é um titulo, é um legado com 30 anos”. Nelo Vingada, seu adjunto de muitos anos e amigo “como irmão”, também não tem dúvidas de que o legado de Carlos Queiroz vai muito além da Geração de Ouro, “ainda que essa geração tenha sido o coroar do plano e da ideia que ele tinha, naquela altura, para o futebol português e que serviu até de referencia para outras federações”, sublinha à Tribuna Expresso o técnico e companheiro de muitas aventuras.

Amado ou odiado, a verdade é que, aos 70 anos, comemorados neste 1 de março, o filho de Júlio Queiroz e Etelvina Leal continua a trabalhar no que mais gosta: o futebol. Há sensivelmente um mês, assumiu o comando da seleção do Catar, país anfitrião do último Mundial e o 4.º consecutivo para “Don Carlos”, cognome atribuído pelo pai.

Uma viagem pelo percurso de Carlos Manuel Brito Leal de Queiroz, nascido em Moçambique, que passou pelos juniores do Ferroviário de Nampula, como guarda-redes, obriga-nos a realçar em primeiro lugar o feito inédito de conquistar, ao serviço de Portugal, dois Campeonatos do Mundo de juniores consecutivos: em 1989 (Riade) e 1991 (Portugal). Para a maioria dos portugueses foi a partir daqui que a sua história começou, mas, na verdade, o jovem professor Queiroz, então com 36 anos, já se tinha deparado com algumas pedras no caminho que o ajudaram a moldar o caráter.

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  • Carlos Queiroz: “Sistema? Isto hoje é queijo fresco”
    Entrevistas Tribuna

    Há treinadores que chegam a selecionadores e selecionadores que são treinadores. Queiroz é dos segundos. Campeão do mundo duas vezes, treinou Portugal e outras seleções, o Sporting e o Real Madrid pelo meio. Agora, acaba de qualificar o Irão pela segunda vez consecutiva para um Mundial e são já quatro as equipas que pôs em campeonatos do mundo (Áfrifca do Sul, em 2002, Portugal, em 2010, Irão, em 2014 e 2018). Mas quem é que está a contar? A Tribuna Expresso: Queiroz igualou o recorde histórico Walter Winterbottom (qualificou a Inglaterra para os mundiais de 1950, 1954, 1958 e 1962), é o quarto selecionador, ex aequo, com mais vitórias (53) em jogos oficiais, atrás de Joachim Löw (69), Carlos Alberto Parreira (57), Lars Lagerbäck (54) e em igualdade de circunstâncias com Vicente Del Bosque (53). Além disso, a equipa iraniana é a melhor selecção asiática do ranking FIFA desde que o português lá está, não perde um jogo desde janeiro de 2015 e carimbou o passaporte para o Rússia2018 sem sofrer um único golo. Senhoras e senhores, o professor Queiroz