Tribuna Expresso

Perfil

Futebol internacional

Mike Dean, o VAR no Chelsea-Tottenham, está arrependido por não ter chamado o árbitro para ver o puxão de cabelo de Romero a Cucurella

Antes do derradeiro canto que deu o empate ao Tottenham, aos 90'+6, Romero puxou o cabelo a Cucurella de forma ostensiva. O árbitro não viu e o VAR entendeu que não se tratou de uma ação violenta. Agora, admitiu ter mudado de ideias

Expresso

Chris Brunskill/Fantasista

Partilhar

O cronómetro já tinha entrado por caminhos finitos. Muito para lá dos 90 minutos, o Chelsea ia vencendo o Tottenham, por 2-1, em Stamford Bridge, quando pingou um canto para os de branco. Na sequência dessa bola parada, os spurs empataram, por Harry Kane. Mas, segundos antes de ser atribuído esse canto para a equipa de Antonio Conte, houve um incidente indetetável pela equipa de arbitragem e pelo VAR entre Cristián Romero e Marc Cucurella.

O argentino, defesa do Tottenham, puxou o cabelo ao espanhol canhoto de uma forma ostensiva e violenta, dentro da área. Anthony Taylor, o árbitro, não viu. E Mike Dean, agora 100% em funções de vídeo-árbitro, optou por não chamar o colega. Agora, está arrependido.

“Nos poucos segundos que estudei o lance do Romero a puxar o cabelo do Cucurella não vi um ato violento”, admitiu Dean na coluna que assina no “Daily Mail”. Depois da feroz urgência que pode levar a erros de análise, chegou a serenidade e outra opinião.

“Voltei a estudar a imagem, falei com outros árbitros e, após uma reflexão, deveria ter pedido ao Taylor para visitar o seu monitor no relvado para ele poder ver. O árbitro no relvado tem sempre a última palavra.”

Thomas Tuchel, que no final do quentinho jogo trocou um aperto de mão ainda mais quente com Antonio Conte, sugeriu, quando questionado sobre isso mesmo, que Taylor não deveria voltar a apitar o Chelsea. Contexto: os adeptos dos blues normalmente têm queixas contra aquele árbitro. Tuchel sugeriu depois que esse sentimento existe no balneário também. Questionado se os futebolistas ficam preocupados quando é Taylor a apitar, o treinador admitiu que sim.

“Mas, honestamente, também temos o VAR para ajudar a tomar as decisões certas”, continuou o alemão. “Desde quando é que os cabelos dos jogadores podem ser puxados? Desde quando acontece isso? Se ele não viu, não o culpo. Eu não vi, mas temos pessoas no VAR que estão a ver e depois tu vês e como é que isto não é falta e como é que não é um cartão vermelho? Como?”

Cucurella ficou desesperado com Taylor a pedir falta ou cartão vermelho. “Nunca cortarei o meu cabelo. Este é o meu estilo”, disse o espanhol ex-Brighton depois do jogo. “Antes do jogo, falei com ele [Romero]. Não tenho problemas com ele. Foi só uma ação no jogo, mas talvez tenha sido importante porque mudou o resultado final.”

Chris Sutton, o avançado que fazia dupla com Alan Shearer no título do Blackburn Rovers em meados da década de 90, celebrou, na sua crónica, a atitude do árbitro que estava no VAR. “Bom para o Mike Dean por enfrentar isto. É refrescante. Vemos pedidos de desculpa, semanalmente, por parte dos jogadores nas redes sociais caso tenham feito asneira ou recebido um cartão vermelho. (...) Estamos habituados a ver os árbitros, assistentes e VAR a ficarem quietos.”

Chelsea e Tottenham empataram a duas bolas, no domingo, com golos de Kalidou Koulibaly, Reece James, Pierre Hojbjerg e Harry Kane. As duas equipas de Londres somam quatro pontos na Premier League, depois de duas jornadas, ficando atrás dos líderes Manchester City e Arsenal, com seis.