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Golaço do meio da rua, nome de Chalana apontado ao céu: Jota volta a brilhar no Celtic

O extremo português vai na segunda época a jogar na Escócia, onde é habitual titular do Celtic. Este domingo, voltou a emprestar à equipa a sua capacidade de remate à distância da baliza, fez um grande golo e dedicou-o a Fernando Chalana, cujo apelido tinha escrito na fita que enrolou à volta do pulso

Diogo Pombo

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Que João Pedro Neves Filipe é dono de uma aptidão peculiar para bater na bola com precisão e força, quando está a alguma distância da baliza, não é notícia. O futebolista conhecido por Jota já o mostrava quando conquistava títulos pelas seleções jovens de Portugal, mesmo que nunca tenha logrado jogar com continuidade no Benfica, clube no qual se formou.

O ano passado foi emprestado ao Celtic, gigante do futebol escocês que reside em Glasgow e onde o português se cimentou na equipa, jogando muito (40 partidas), marcando golos (13) e assistindo outros (14) com uma magnitude que o fez ser um futebolista crucial na equipa que Ange Postecoglou, um australiano com nome de grego, e Harry Kewell, antiga lenda do futebol do país dos cangurus, estão a tentar elevar para lá do contexto escocês.

Esta temporada chegou e o clube comprou Jota ao Benfica para o continuar a ter como desequilibrador numa das alas. Jota encontrou o espaço e o contexto para florescer na Escócia e, aos 23 anos, vai mostrando o melhor futebol da carreira. Mostrou-o, uma vez mais, este domingo.

No campo do Kilmarnock, o campeão da Escócia já vencia por 0-1, na primeira parte, quando o japonês Maeda - tambem ele com tempos vividos em Portugal, no Marítimo - captou a bola e logo a tocou para o português, que ainda estava a uns 30 metros da baliza mas sem adversários nas redondezas. Por isso, decidiu arriscar.

A pancada seca de Jota na bola deu em remate que foi rápido a entrar como um míssil na baliza. Mal o golaço entrou, o português apressou-se a correr na direção de uma câmara de televisão e apontou o indicador da mão direita para a fita que lhe cobria o pulso esquerdo - "Chalana", lia-se a letras pretas no material branco. Depois, olhou para o céu e também apontou para a altitude.

Foi a homenagem de um futebolista que contou 13 anos no Benfica, a maioria na formação, onde se terá cruzado com Fernando Chalana, a lenda dribladora do clube da Luz que morreu na quarta-feira e tocou tantos jovens que deram os primeiros passos no mundo da bola no Benfica.