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Inglaterra prepara-se para banir os cabeceamentos no futebol para menores de 12 anos

Primeiro os treinos, agora os jogos. Inglaterra não quer as crianças a cabecear uma bola para que se evite qualquer dano que possa daí resultar. O primeiro ano será apenas uma fase experimental, mas a partir da época 2023/24 espera-se que passe a ser regra

Rita Meireles

Barrington Coombs

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Os cabeceamentos deliberados podem ser banidos do futebol para crianças menores de 12 anos em Inglaterra dentro de duas temporadas, segundo anunciou a Associação de Futebol (FA) do país.

A FA obteve a aprovação do organismo legislador do futebol, o International Football Association Board (Ifab), para passar por um período experimental ao longo da próxima época. Se a experiência for bem sucedida, a FA vai solicitar ao Ifab uma alteração legislativa para remover o cabeceamento deliberado de forma definitiva quando se trata de competições em que participam menores de 12 anos. O objetivo é que assim seja a partir da época 2023/24.

Este é o próximo passo de um processo que começou em 2020, quando os treinadores foram aconselhados a não treinar o cabeceamento com crianças de 11 anos ou menos. A habilidade só seria introduzida gradualmente a partir dos 12 anos e até aos 16. O futebol profissional também recebeu algumas indicações, como o limite recomendado de 10 cabeceamentos de força alta por semana em treinos e no jogo.

"Representa uma abordagem cautelosa de jogar e apreciar o futebol enquanto a investigação continua nesta área", lê-se numa declaração da FA, sendo que a investigação em questão procura perceber se há ligação entre o cabeceamento frequente numa bola e as doenças neurodegenerativas.

Segundo o "The Athletic", a habilidade tem sido ligada à demência, com um estudo a comprovar que os ex-futebolistas escoceses profissionais nascidos entre 1900 e 1976 eram três vezes e meia mais propensos a ter a doença como causa de morte.

Dawn Astle, líder do projeto de doenças neurodegenerativas no futebol da Associação de Futebolistas Profissionais, aplaudiu o ensaio. "Queremos que todos os nossos filhos desfrutem do futebol, mas devem ser capazes de jogar em segurança. O novo ensaio proposto para alargar aos jogos as diretrizes já em vigor para o treino é um passo lógico e sensato", disse ao “The Guardian”.

Ainda que inicialmente isto se aplique apenas aos menores de 12 anos, Dawn Astle defende que no futuro seja também uma regra em todas as competições masculinas e femininas. "O futebol tem o dever de continuar a reduzir os riscos de cabecear uma bola. Esta obrigação inclui o futebol juvenil, mas também se aplica ao cuidado com os jogadores profissionais”, disse.