Tribuna Expresso

Perfil

Futebol internacional

Depois de Tiago Brandão Rodrigues, agora é a idoneidade dos dois portugueses nomeados para o ajudar que está a ser posta em causa

Os adeptos ingleses questionam a independência de Daniel Ribeiro e Luís Silva, nomeados para apoiar, em Lisboa, Tiago Brandão Rodrigues no inquérito aos incidentes e distúrbios ocorridos na final da Liga dos Campeões, em Paris

Alexandra Simões de Abreu

Peter Byrne - PA Images/Getty

Partilhar

Daniel Ribeiro e Luís Silva, os dois profissionais portugueses nomeados para apoiar administrativamente Tiago Brandão Rodrigues, presidente do inquérito independente da UEFA para os incidentes ocorridos na final da Liga dos Campeões, em Paris, já trabalharam ambos para o órgão máximo do futebol europeu, o que está a levantar sérias preocupações sobre a independência do inquérito.

Segundo o "The Guardian" não foram fornecidos pormenores biográficos, nem explicações sobre porque foram considerados apropriados para apoiar, no escritório de Lisboa, o ex-Ministro da Educação português, cuja independência e idoneidade também foram postas em causa.

Tiago Brandão Rodrigues justificou, na altura, a escolha de Daniel Ribeiro e Luís Silva por serem ambos experientes gestores de eventos internacionais e locais.

O jornal inglês escreve que “a UEFA recusou fornecer detalhes sobre os dois portugueses, ou mesmo confirmar as suas identidades e se são, como parecem ser, respetivamente, ex-chefe de eventos da UEFA e ex-consultor daquela entidade”.

Escreve a mesma publicação que Daniel Ribeiro “trabalhou durante 10 anos, até 2016, como gerente de eventos como as próprias finais da Liga dos Campeões” e, desde então, “desempenha um cargo relevante na Federação Portuguesa de Futebol [FPF]”. Luís Silva é apresentado como “dirigente de uma consultora de eventos de estádios, Bluerock Sports & Entertainment”, no Porto, e “segundo a sua biografia profissional online, trabalhou como consultor da UEFA para operações de estádios para os europeus de 2004, 2008 e 2012”.

Recorde-se que este inquérito independente ao caos causado por adeptos e polícia na final da Liga dos Campeões, entre o Liverpool e Real Madrid, foi olhado desde início com desconfiança pelos adeptos do clube inglês, que colocam em causa a sua independência, sobretudo depois de uma investigação pedida pelo senado francês ter concluído que os adeptos do Liverpool foram “injustamente” culpados pelos distúrbios na final da Champions.

O "The Guardian" recorda que no seu papel de Ministro da Educação português responsável pelo desporto, Tiago Brandão Rodrigues “trabalhou em estreita colaboração com a FPF, cujo presidente, Fernando Gomes, é um membro proeminente da comissão executiva da UEFA e tem uma relação de trabalho estreita e calorosa com o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin”. E acrescenta que o ex-presidente-executivo da FPF, Tiago Craveiro, que trabalhou de perto com Rodrigues nessa função, “mudou-se em março para tornar-se um conselheiro estratégico de Ceferin, na UEFA”.

Os adeptos ingleses insistem que “existem simplesmente demasiados vínculos não declarados, acordos de trabalho anteriores e relações que não proporcionam confiança. Mais uma vez, pedimos à UEFA que seja limpa, tranquilize e demonstre que sua análise será verdadeiramente independente”.

Tanto o órgão máximo do futebol europeu como Tiago Brandão Rodrigues recusaram-se a comentar ou fornecer explicações em resposta a perguntas do "The Guardian".

A Tribuna Expresso tentou entrar em contacto com Tiago Brandão Rodrigues quando foi nomeado para liderar a investigação aos incidentes ocorridos em Paris, em junho, mas este afirmou que só falará quando o relatório estiver concluído. A própria UEFA também já comunicou que não irá fazer comentários sobre o inquérito até chegar à sua conclusão.