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Carlos Queiroz arrasa federação do Egito e garante que lhe devem 24 mil euros: “Um dia vou aí buscar o meu dinheiro, cara a cara”

O treinador português saiu do cargo de selecionador do Egito em abril e numa entrevista a um jornal do país deixou duras críticas à atual direção: "A agenda pessoal de Gamal Allam [presidente em funções] ficou clara desde o início: expulsar todos os membros que tinham sido nomeados pelo anterior presidente e destruir o bom trabalho e os resultados que conseguimos"

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Visionhaus/Getty

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Três meses após a saída da seleção do Egito, o treinador português Carlos Queiroz deu uma entrevista ao jornal local “El Captain”, em que desfaz todas as dúvidas acerca das verdadeiras razões para o final da relação. O antigo selecionador de Portugal rescindiu contrato em abril, por mútuo acordo. No entanto, a separação terá sido tudo menos pacífica. Alegadamente, ter-lhe-ão sido descontados do ordenado cerca de 24 mil euros devido a uma multa da Confederação Africana de Futebol (CAF).

“Um dia, vou aí [ao Egito] para fazer valer os meus direitos, para ir buscar o meu dinheiro cara a cara, homem a homem. Não teve nada a ver com uma multa da CAF”, disse Queiroz ao jornal egípcio, deixando duras críticas ao presidente da federação daquele país: “Da Federação do Egito pode esperar-se tudo, não têm vergonha. A agenda pessoal de Gamal Allam ficou clara desde o início: expulsar todos os membros que tinham sido nomeados pelo anterior presidente e destruir o bom trabalho e os resultados que conseguimos”.

Carlos Queiroz referiu ainda que o organismo que controla o futebol egípcio se recusou a pagar-lhe os prémios por ter estado no Campeonato das Nações Africanas (CAN). “Fui informado por Gamal Allam de que não seriam pagos os prémios, nem a mim nem à equipa, pela presença no CAN, por decisão da direção. Disse-lhe duas vezes que isso ia contra o que estava nos contratos, mas a resposta dele foi clara: ‘não, não, não’. Um insulto e um desrespeito”, desabafou o antigo selecionador, acrescentando: “Obviamente não podia trabalhar com estas pessoas que desrespeitaram a minha pessoa, o meu trabalho e a minha equipa”.

Entretanto, surgiram rumores que associavam outros dois portugueses ao cargo de selecionador do Egito. Disse-se também que Rui Vitória e Paulo Sousa teriam sido avisados por Queiroz quanto às dificuldades que iriam encontrar. O treinador nascido em Moçambique nega. “Acha mesmo que não tenho mais nada para fazer na minha vida do que prevenir outros treinadores sobre trabalharem no Egito? (…) Não falei com ninguém”, afirma Carlos Queiroz.