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“Ligaram para o Rúben Dias e João Félix para saber como eu era”: Renato Paiva, a mudança para o Equador e os clubes que lhe tocaram à porta

O treinador português, com contrato até dezembro de 2022 com o Independiente del Valle , está satisfeito no campeão equatoriano, mas admite que, para o bem ou para o mal, a mala está sempre feita. Estará o regresso no horizonte? "Tive sondagens há dois ou três meses, mas não concebo como se pensa a maioria dos clubes em Portugal"

Lusa

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O treinador português Renato Paiva assume estar focado na próxima época do campeão equatoriano Independiente del Valle, apesar do interesse de clubes pertencentes a campeonatos de maior dimensão futebolística.

“Tive abordagens de duas equipas mexicanas, o Necaxa e o Pachuca, mas as coisas não se deram por isto ou aquilo. Quanto aos Los Angeles FC, sei que há sondagens, mas o meu empresário apenas tem instruções para falar comigo assim que haja uma proposta concreta. Sei que estão em conversações, mas o meu foco está no Independiente”, garantiu à agência Lusa o técnico, de 51 anos, recém-consagrado campeão do Equador.

Oficializado no dia de Natal de 2020, o albicastrense conquistou em 12 de dezembro o primeiro título a nível sénior, ao derrotar o Emelec (4-2 nas duas mãos) na final do campeonato, antes de voltar a Portugal para umas férias em família.

“Viajei dia 22 e regresso em 29 de dezembro. A pré-época começa a 10 de janeiro de 2022, mas quero jogar pelo seguro antes que fechem aeroportos, soltem as festas e se infete toda a gente. O clube merece esse profissionalismo. Vamos ter seis semanas de pré-época, o início do campeonato e a Taça Libertadores a partir de março”, enquadrou.

Renato Paiva tem contrato até dezembro de 2022 com os negriazul, cujo plantel “está praticamente fechado”, num sinal do “nível de organização do clube e da maneira como tenta antecipar em vez de reagir”, ao nível da experiência vivida na formação do Benfica.

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“Nunca sairei a mal deste clube, porque não esquecerei que me deu esta oportunidade. Tenho uma relação fantástica com as pessoas, deixámos aqui história e, neste momento, gostava de continuá-la, mas sou profissional e como diz um célebre treinador da praça, a mala tem que estar sempre pronta, seja para te despedirem ou contratarem”, expressou.

“Muita gente em Portugal disse-me que era maluco”

Com 16 anos e três títulos nacionais somados ao serviço das diferentes equipas jovens das águias, o técnico sentiu há um ano ser o “timing ideal” para deixar o Benfica B e substituir o espanhol Miguel Ángel Ramírez no comando do Independiente del Valle.

“Muita gente em Portugal disse-me que era maluco, ao abandonar um cargo que muitos gostavam de ter para rumar ao desconhecido. Pensei muito bem, medi as consequências e, por isso, dizia que o título não era um sonho, mas um objetivo, porque já conhecia o clube, sabia das nossas capacidades e acreditava muito que era possível”, recordou.

O rigoroso processo de recrutamento de Renato Paiva por parte do novo campeão equatoriano incluiu “dois meses de entrevistas” e conversas com “recursos humanos, psicólogo, presidente, diretor desportivo e toda a direção”, além de contactos paralelos.

“Ligaram para o Rúben Dias, João Félix, Pedro Pereira e Guga, que trabalharam comigo anteriormente, para saber como eu era. Disse aos responsáveis do clube: ‘Não sei qual será a vossa decisão, mas irão acertar de certeza em quem escolherem, uma vez que é impressionante o detalhe que tiveram para escolher o treinador que queriam”, contou.

Definindo-se como um “treinador de projeto e de processo”, prioriza um percurso “gerido com pinças”, sob pena de “uma má opção poder ser o princípio do fim”, mas afasta dos horizontes a estreia na I Liga portuguesa em breve, após dois anos e meio na II Liga.

“Tive sondagens há dois ou três meses, mas não concebo como se pensa a maioria dos clubes em Portugal. Disseram-me que ia para o terceiro mundo, que, ao fim de 30 jornadas, despediu três treinadores. Em Portugal, com 10 rondas, já se despediram não sei quantos entre I e II Ligas. Pergunto onde é que está o terceiro mundo. É uma falta de respeito pelos profissionais do treino e de conhecimento dos que escolhem”, lamentou.