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Flamengo quer Paulo Sousa e Paulo Sousa quer o Flamengo: falta acordo com a federação polaca

A comitiva carioca em Lisboa terá finalmente concluído o propósito da viagem. Depois do desencontro com Jorge Jesus, o clube do Rio de Janeiro optou por Paulo Sousa, o selecionador da Polónia. Presidente da federação polaca, numa reação no Twitter, falou em "comportamento extremamente irresponsável"

Hugo Tavares da Silva e Diogo Pombo

MARCIN GADOMSKI

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Paulo Sousa está bem colocado para ser o próximo treinador do Flamengo. A notícia foi avançada pelo “Record”, durante a tarde, e a Tribuna Expresso sabe que o acordo ainda não está fechado, pois falta acertar a saída do treinador português com a federação polaca.

O ex-futebolista é o selecionador da Polónia desde janeiro de 2021, pelo que pôde disputar um Campeonato da Europa com o grupo liderado por Robert Lewandowski. Os polacos desiludiram e ficaram no último lugar do Grupo E, atrás de Suécia, Espanha e Eslováquia.

Uma comitiva do Flamengo está há vários dias em Portugal para, na teoria, levar Jorge Jesus de volta, mas o desencontro entre ambas as partes levou o clube do Rio de Janeiro a mudar o alvo, acabando por escolher Paulo Sousa, que estaria também na mira do Internacional de Porto Alegre.

O Flamengo já terá um contrato em cima de mesa para apresentar ao português, apurou a Tribuna Expresso. De acordo com uma fonte próxima do processo, o treinador rejeitou alguns convites nos últimos tempos, inclusivamente da Serie A, de Itália.

Mas, para já, parece haver um entrave: Cezary Kulesza, presidente da federação polaca de futebol (PZPN), reagiu no Twitter e informou que não aceitou o pedido de rescisão do contrato, que catalogou como "comportamento extremamente irresponsável", e afirmou ainda que esta intenção é "inconsistente" com declarações recentes de Sousa.

Em entrevista à Tribuna Expresso, em 2019, o treinador explicou como vê o futebol. “[Gosto que as minhas equipas sejam] protagonistas em todos os momentos do jogo. Mas, fundamentalmente, com bola”, começou por dizer a este jornal. “Gosto de ver as minhas equipas a expressarem todo o seu conteúdo romântico ou poético, individual e coletivo, de forma a que tenham domínio sobre o adversário e esse domínio tem muito a ver, no meu ponto de vista, com espaço e com tempo. Requer, sem dúvida, uma inteligência tática importante."

E acrescentou: "Procuramos ter uma identidade comum em todas as equipas, onde essa base permita ao indivíduo a toma mais rápida de decisões perante esse tempo e espaço, para que essa expressão poética possa ser a base do individual. A base para oferecer ao público em geral e, nomeadamente, aos nossos adeptos, algo que lhes permita passar uma semana com ansiedade de voltarem ao estádio para os poderem ver e obterem as mesmas emoções".

O treinador português começou a carreira nos sub-16 de Portugal. Depois, mudou-se para o Reino Unido, onde treinou o Queens Park Rangers, Swansea City e Leicester City. No Videoton, da Hungria, começou a disputar títulos, algo que aconteceu definitivamente no Maccabi Tel Aviv, do Israel, e Basileia, da Suíça.

Em 2015, o ex-médio que atuou na Juventus mudou-se para um histórico rival, a Fiorentina, onde apresentou futebol de alto gabarito e terminou nas 5ª e 8ª posições. A caminhada internacional prosseguiu depois na China e França, ao serviço do Tianjin Quanjian e Bordéus.

A herança que recebe do Flamengo, que era treinado por Renato Gaúcho, é interessante: o mengão foi vice-campeão do Brasileirão e finalista vencido da final da Copa Libertadores, conquistada pelo segundo ano consecutivo pelo Palmeiras de Abel Ferreira.

* artigo atualizado às 17h20, com reação do presidente da federação polaca, no Twitter