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“Esta conferência é para anunciar que decidi deixar de jogar futebol”. O coração falhou a Kun Agüero, mas ele fica no coração do futebol

Emocionado e em lágrimas, com um nó na garganta que quase não o deixou falar. Foi assim que Sergio Agüero anunciou o adeus aos relvados, pouco mais de um mês após sofrer uma arritmia cardíaca em pleno jogo. Num palco montado em Camp Nou, rodeado de elementos do At. Madrid, Man. City e Barcelona, o argentino de 33 anos, um dos avançados mais preponderantes deste século, disse que parte de "cabeça levantada"

Lídia Paralta Gomes

Quality Sport Images/Getty

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Não era exatamente uma novidade que Kun Agüero iria esta quarta-feira anunciar o adeus ao futebol, pouco mais de um mês depois de sair agarrado ao peito a meio de um jogo com o Alavés. Mas, como em tudo, nunca se está verdadeiramente preparado. Aquela dor no peito era afinal uma arritmia cardíaca e aos 33 anos a carreira do argentino ficou em risco. E quando subiu ao palco colocado em pleno relvado de Camp Nou já lavado em lágrimas, todos finalmente percebemos que, sim, era o fim.

Foram precisos alguns minutos até Sergio Agüero se recompor e conseguir começar a falar. E começou logo com a frase mais difícil que um jogador pode dizer: “Esta conferência é para anunciar que decidi deixar de jogar futebol”.

E depois de mais um momento de pausa, continuou. “É um momento muito duro. Já sabem porque tomei esta decisão, pelo problema que tive há um mês. Estive em boas mãos, os médicos fizeram o melhor, mas disseram-me que o melhor era deixar de jogar. Há uma semana que tomei esta decisão. Fiz todo o possível para receber alguma esperança, mas não havia muita…”.

No passado dia 30 de outubro, Agüero queixou-se de dores no peito em pleno relvado. Foi internado e dias depois o Barcelona anunciava que o jogador estaria de fora pelo menos durante três meses, nos quais seria avaliada a sua evolução. Mas ainda antes disso o jogador decidiu não arriscar mais. Deixa o futebol como um dos avançados mais preponderantes deste século, fosse no Atlético Madrid, que lhe abriu as portas da Europa, como depois no Manchester City, onde foi uma das caras da consolidação do projeto que tornou os citizens num dos clubes mais poderosos do planeta. É dele aquele golo já bem dentro do descontos que deu ao City o título em 2011/12, o primeiro em 44 anos. Chegou ao Barcelona este ano, mas os problemas físicos nunca o deixaram verdadeiramente brilhar. Quando voltou, foi o coração que lhe falhou.

Já com um sorriso nos lábios, depois das lágrimas no início da despedida

Já com um sorriso nos lábios, depois das lágrimas no início da despedida

PAU BARRENA

“Estou muito orgulhoso pela minha carreira, muito feliz. Desde os cinco anos que dava toques na bola, que sonhava jogar futebol. O sonho era jogar na primeira divisão, nunca pensei chegar à Europa”, continuou, emocionado, antes de agradecer aos clubes onde jogou e principalmente à seleção argentina: “É o que eu mais amo”.

“Vou com a cabeça levantada e muito feliz. Não sei o que me espera, será outra vida. Sei que muita gente que ama”, terminou.

A conferência de imprensa teve a presença de representantes dos clubes por onde o craque argentino passou. Pep Guardiola, seu treinador no Manchester City, foi um dos que viajaram até Barcelona.

Já depois do discurso inicial, Agüero sublinhou que neste momento se sente bem. “Obviamente que as duas primeiras semanas foram duras. Logo que fiz o primeiro exame físico na clínica os médicos chamaram-me e disseram-me que havia uma grande probabilidade de que não pudesse continuar a jogar”, explicou, dizendo que foi nesse momento que começou a mentalizar-se. “Mas não foi fácil”, frisou.

“Quando me chamaram para dizer que era definitivo demorei uns dias a processar, mas ainda tinha esperanças na minha cabeça. Agora estou bem, mas foi difícil”, continuou, relevando mais uma vez que acaba a carreira “muito feliz” com o que conquistou.

Agüero diz adeus ao futebol com um currículo riquíssimo onde se destacam cinco títulos da Premier League com o Manchester City, uma Liga Europa com o Atlético Madrid, uma medalha de ouro olímpica com a Argentina, tendo também este ano finalmente conseguido um título sénior com a sua seleção, a Copa América.