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Futebol feminino

Mais de 83 mil pessoas no Wembley viram a Inglaterra vencer a primeira Finalíssima da história do futebol feminino

O jogo que juntou as campeãs de Copa América e Campeonato da Europa foi decidido nos penáltis no Wembley, em Londres. Este Inglaterra-Brasil saltou para o quinto lugar da lista dos jogos com mais público no futebol feminino, atrás de Barcelona-Wolfsburgo (2022), Barcelona-Real Madrid (2022), Estados Unidos-China (1999) e Inglaterra-Alemanha (2022)

Hugo Tavares da Silva

Marc Atkins

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Quando Wembley já afinava as gargantas e os punhos das mãos para celebrar um título inédito no futebol jogado por mulheres, Andressa Alves disse para esperarem mais um bocadinho, que a festa ainda não tinha acabado. O golo da brasileira, que respeitou muitíssimo a natureza felina de um número 9, deixou tudo empatado entre Brasil e Inglaterra aos 90’+3.

Sem prolongamento previsto no regulamento, a contenda especial seria decidida em penáltis. Vislumbravam-se uns rostos mais tensos do que outros. A exceção era a sorridente e relaxadíssima Pia Sundhage, a sueca que é selecionadora brasileira e que vai aparecendo de vez em quando nas redes sociais a tocar ou a dançar música daquele país que tem instaladas incontáveis torneiras de onde brotam talentos vários que não se esgotam.

Georgia Stanway marcou o primeiro penálti. Adriana Silva também acertou na baliza de Mary Earps, que, ao defender o penálti de Tamires com a ponta dos dedos, tirou um peso dos ombros de Ella Toone (a futebolista que marcou durante os 90’), que falhou o segundo penálti. Rachel Daly e Alex Greenwood voltaram a marcar, enquanto Rafaelle Souza cometeu o pecado capital a 11 metros da glória. O último golo de Kerolin Ferraz seria inútil, pois Chloe Kelly, a heroína da final do Euro 2022 contra a Alemanha, não falharia e oferecia ali, no Wembley, onde a seleção masculina havia perdido daquela maneira a final do Europeu contra a Itália, mais um pedaço de céu para os eufóricos adeptos. A Inglaterra não disputava uma decisão por grandes penalidades desde 2011.

A Finalíssima 2023, a primeira da história, junta a vencedora da Copa América e do Campeonato da Europa. Ou seja, é uma prova organizada pela Conmebol e UEFA.

Depois de conquistar o Europeu, em 2017, e de conhecer o sabor venenoso da derrota na final do Mundial de 2019 pelos Países Baixos, a neerlandesa Sarina Wiegman junta a Finalíssima ao Campeonato da Europa, conquistado no ano passado também no Estádio de Wembley, em Londres. Mais: na noite de quarta-feira aumentou para 30 os jogos consecutivos sem sentir a angústia da derrota.

Justin Setterfield

“As experiências ajudam sempre”, explicou, na ressaca do derradeiro penálti, Wiegman, que apostou em seis futebolistas que haviam sido titulares na final do Europeu, em 2022. "Reconhecer as situações, o que sentes quando fazes aquela caminhada à frente de 83 mil pessoas a gritar. Ajuda mesmo e mostra que o podemos fazer e que sabemos o que temos de fazer quando vamos a penáltis.”

E acrescentou: “No ano passado tivemos alguns momentos duros e a equipa mostrou realmente que pode fazê-lo, mas ainda não tínhamos tido uma decisão por penáltis num ambiente como este. Tu treinas os penáltis e tentas aproximar-te o mais possível do jogo real, claro, mas não fica mais real do que isto. Toda a experiência ajuda a avançar”.

De acordo com o “Globo Esporte”, este Inglaterra-Brasil saltou para o quinto lugar da lista dos jogos com mais público no futebol feminino. Contas feitas, estiveram 83,132 pessoas no Wembley a assistir à Finalíssima inaugural no futebol feminino. Os quatro jogos que mais pessoas atraíram para as bancadas de um estádio foram Barcelona-Wolfsburgo, em abril de 2022, com 91,648 pessoas, seguido do Barcelona-Real Madrid, em março de 2022, com o Camp Nou a receber 91,553 pessoas, num jogo a contar para a Liga dos Campeões.

A seguir surge o futebol internacional: Estados Unidos-China, na final do Mundial 1999, no Rose Bowl, com 90,185 adeptos e, finalmente, a final do Europeu de 2022, entre Inglaterra e Alemanha, no Wembley, que recebeu 87,192.

“Perder é frustrante, decepcionante, mas isso [as pessoas no estádio] é espectacular”, desabafou no final, aos microfones da ESPN, Andressa Alves, a suplente que entrou para levar o jogo para os penáltis. “Mais uma vez o futebol feminino venceu. É importante, esta experiência é incrivel.”