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GP Áustria marcado por relatos de abusos por parte de adeptos de Verstappen a outros fãs. Fórmula 1, Hamilton e Max condenam

Durante o fim de semana foram registados casos de abuso por parte de elementos do grupo de fãs de Verstappen, em larga maioria em Spielberg. A Fórmula 1 está a investigar as situações, condenadas pelo neerlandês, pela Red Bull, mas também por Hamilton ou Vettel

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JOE KLAMAR/Getty

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Ao longo do fim de semana do Grande Prémio da Áustria em Fórmula 1, uma das zonas do Red Bull Ring aparecia constantemente coberta por uma névoa cor de laranja. Nessa área, concentrava-se o chamado “exército laranja”, o ruidoso e numeroso grupo de adeptos de Max Verstappen, acusado de vários incidentes durante os quatro dias da prova.

Os relatos foram surgindo, na maioria por parte de fãs de Lewis Hamilton, rival na luta pelo controverso título de 2021. Essas pessoas estariam a ser assediadas e abusadas. Uma mulher terá dito que lhe levantaram a saia e, perante a sua indignação, ter-lhe-ão respondido que uma fã de Hamilton não merece respeito.

Enquanto a Fórmula 1 investiga as situações relatadas, tanto Lewis Hamilton como Max Verstappen vieram condenar os abusos. “Enojado e desapontado por saber que alguns fãs estão a ser vítimas de comportamentos racistas, homofóbicos e abusivos em geral”, disse o heptacampeão do Mundo, que acrescentou: “Assistir ao GP da Áustria ou a qualquer GP nunca deveria ser uma fonte de ansiedade e dor para os fãs e algo tem de ser feito para que as corridas sejam espaços seguros para todos”.

As declarações foram feitas antes ainda da corrida principal do fim de semana. Já depois de ter terminado a prova em terceiro lugar, Hamilton acrescentou: “Cheguei com uma mentalidade positiva, esta manhã, e depois ouvi algumas das coisas que andavam a ser ditas. Fiquei chocado e muito triste. As pessoas vêm para celebrar, divertir-se, ter uma grande experiência”.

“No Reino Unido, há uma grande quantidade de fãs, mas aqui tens o ‘exército laranja’. Saber que alguém sentado entre a multidão, que está a apoiar outro piloto, está a ser abusado… É de loucos pensar que estamos a viver esse tipo de coisas em 2022. Temos de fazer mais. (…) Tem tudo a ver com educação”, disse Hamilton, citado pela Sky Sports.

Também a Red Bull – empresa dona do circuito e da equipa – e Max Verstappen condenaram as atitudes de alguns fãs. O campeão do Mundo em título disse: “Estas coisas não deveriam acontecer. Li algumas coisas chocantes e isso claramente não é bom. Nem devia ser preciso eu dizer isto, deveria ser do conhecimento geral que não deveria acontecer”.

Christian Horner, o líder da equipa Red Bull, pediu que fosse dada uma resposta rápida por parte das autoridades. “Não há lugar para isto nas corridas ou na sociedade em geral. Valorizamos a inclusão e queremos um espaço seguro para que os fãs se divirtam com o nosso desporto”, referiu o inglês.

Também o tetracampeão do Mundo Sebastian Vettel se pronunciou sobre o problema. O alemão disse que os fãs que cometeram abusos deveriam ser proibidos de frequentar Grandes Prémios no futuro. “Quem quer que sejam estas pessoas, deviam ter vergonha delas próprias e ser banidas de eventos automobilísticos para a vida”, disse o piloto da Aston Martin.

A Fórmula 1 declarou: “Fomos informados de relatos sobre alguns fãs que terão sido sujeitos a comentários completamente inaceitáveis por outros [fãs], durante o Grande Prémio da Áustria. Levamos estes assuntos muito a sério, já falámos deles com o promotor e com a segurança do evento e vamos falar com aqueles que relataram os incidentes. Este tipo de comportamento é inaceitável e não será tolerado”.