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Guanyu Zhou: “Não sei como sobrevivi, mas vejo claramente que o halo me salvou”

Depois de receber a aprovação dos médicos, Guanyu Zhou já está na Áustria para mais um fim de semana de Fórmula 1. Foi lá que falou sobre o acidente que deixou a categoria em suspenso em Silverstone, na última corrida. O piloto realçou a importância do halo e confessou o medo que sentiu de ver o carro pegar fogo

Rita Meireles

JURE MAKOVEC

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Foi o momento que mais marcou o GP de Fórmula 1 em Silverstone, Inglaterra, no fim de semana passado. Um acidente logo ao início da primeira volta deixou pilotos, equipas e adeptos em suspenso. E quando as imagens foram transmitidas, deixou todos preocupados com Guanyu Zhou. As imagens são de arrepiar e, agora que tudo não passou de um susto, o piloto confessou ser difícil de acreditar como conseguiu sobreviver ao acidente.

O primeiro piloto chinês a chegar à Fórmula 1 falou esta quinta-feira com os jornalistas já na Áustria, palco do GP deste fim de semana, e não esqueceu quem lhe salvou a vida. Ou neste caso, o quê: "Não sei como sobrevivi, mas vejo claramente que o halo me salvou".

Foi mais uma prova de que os passos que foram dados em prol da segurança na Fórmula 1 estavam certos. O carro de Zhou virou no primeiro impacto com a pista, continuou a alta velocidade virado para a baixo com o halo colado ao chão, embateu nas barreiras e foi lançado contra a vedação, onde acabou por ficar preso. O piloto sobreviveu ao impacto, mas confessou que o seu grande medo, uma vez que estava preso e impossibilitado de sair do local, foi o carro pegar fogo.

“Quando parei, não sabia onde estava porque estava de cabeça para baixo e depois senti algo a vazar. Não tinha a certeza se era do meu corpo ou do carro, por isso apenas tentei desligar o motor. Eu sabia que se um incêndio começasse, seria difícil sair. Não estava a doer, mas estava muito frio do lado esquerdo, por isso não sabia se era sangue. Mas estava a certificar-me, estava mais preocupado se o motor pegasse fogo porque naquela posição estás realmente preso", contou.

Zhou ficou preso no carro até que os marshals o conseguiram retirar e levar para o centro médico para ser examinado. Contrariamente ao que seria esperado, foi declarado apto e conseguiu regressar ao paddock pouco tempo depois. O piloto disse que tinha alguns hematomas ligeiros, mas que se sentia bem no dia seguinte.

O acidente de Zhou relança o debate sobre o halo, que já conheceu muitos opositores desde que foi introduzido, e sobre a importância de a Fórmula 1 continuar a evoluir no que à segurança diz respeito.

Lewis Hamilton foi um dos que não viu a introdução do halo com bons olhos, em 2018, mas neste momento é um dos pilotos que melhor conhece a sua importância. Na corrida em Monza, no ano passado, foi o halo que o salvou quando o carro de Max Verstappen lhe aterrou em cima.

"Quero agradecer ao falecido Charlie [Whiting] que foi realmente fundamental para nos dar o halo. Salvou-me a vida no ano passado e, recentemente, salvou a vida de vários pilotos. Embora nem sempre o tenhamos apoiado inicialmente por causa do seu aspeto, lembro-me de ele nos ter dito que era uma melhoria de 17% na segurança e que não podíamos ignorar isso”, disse esta quinta-feira.