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A Mercedes e o Mundial perdido: “O que se passou está ao nível da mão de Deus de Maradona ou do golo em Wembley de 1966”

Toto Wolff tem-se desdobrado em entrevistas, com críticas ferozes à direção de corrida e ao que aconteceu nas últimas voltas do GP Abu Dhabi, que levaram Lewis Hamilton a perder o Mundial de F1 para Max Verstappen. Agora, o patrão da Mercedes compara o que aconteceu na última corrida do ano com o infame golo de Maradona no Mundial de 1986 e com o golo-fantasma de Inglaterra no Mundial de 1966

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PA Wire - PA Images/Getty

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Lewis Hamilton continua em silêncio depois de tudo o que se passou no último fim de semana no GP Abu Dhabi, em que o britânico perdeu o Mundial na última volta para Max Verstappen após uma polémica decisão da direção de corrida. O mesmo não se pode dizer de Toto Wolff. O team manager da Mercedes tem-se desdobrado em entrevistas e declarações, onde o tónico está sempre na injustiça que, acredita, a sua equipa e o seu piloto sofreram na derradeira prova do Mundial de Fórmula 1 de 2021.

A última das entrevistas foi ao jornal alemão “Bild”, em que Wolff comparou o “escândalo” de Abu Dhabi a outros erros históricos que foram decisivos para mudar o curso da história do desporto.

“O que se passou está ao nível da mão de Deus de Maradona ou do golo de Wembley no Mundial de 1966”, disse Wolff ao diário germânico. Para contexto histórico, o golo com a mão de Maradona frente à Inglaterra no Mundial de 1986 foi decisivo para a passagem da Argentina às meias-finais - e a seleção ganharia o torneio. Já a referência ao Mundial de 1996 diz respeito ao golo de Geoff Hurst na final frente à Alemanha, numa bola que nunca chegou a entrar na baliza.

Na entrevista, o austríaco desvalorizou ainda as críticas da Red Bull, que acusou a Mercedes de mau perder, dizendo que são “coisas que surgem das emoções”.

“Não tomamos como algo pessoal, eles mereceram a vitória”, sublinhou Wolff, que explicou também a decisão da equipa retirar o recurso para o tribunal de apelo da FIA. “Há uma diferença entre ter razão e obter justiça. Num tribunal normal, é quase certo que teríamos ganhado, porque o nosso caso era muito sólido. Mas o problema do tribunal de apelação é que a FIA não pode analisar o seu próprio trabalho”, disse, sublinhando que decidiram não ir para a frente porque sabiam que não iam ter o resultado que queriam.