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Expresso

“Porpoising”, o problema de vibração dos carros que está a abanar a Fórmula 1 fora da pista

Existe o campeonato de pilotos, o de construtores e agora um de chefes de equipa. Este último acontece fora da pista e não envolve carros, mas sim uma luta de palavras. A Mercedes queixou-se do “porpoising”, que tem afetado os pilotos a nível físico, e a FIA decidiu fazer mudanças. Os rivais não gostaram e o tema parece longe de estar concluído

Rita Meireles

Bryn Lennon - Formula 1

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É o novo elefante na sala da Fórmula 1 e tem afetado pilotos e equipas, ao ponto de a própria Federação Internacional do Automóvel (FIA) ter sido obrigada a intervir. O “porpoising”, a vibração dos carros em certas zonas das pistas, tornou-se um problema tão grande que levou Lewis Hamilton a necessitar de ajuda para sair do carro no final do Grande Prémio do Azerbaijão. Com a saúde dos pilotos em jogo, a FIA fez alterações para diminuir este efeito, mas as novas medidas não agradaram a todos.

Na passada quinta-feira, antes do GP do Canadá, a FIA emitiu uma diretiva técnica sobre o assunto onde afirmou estar a tentar encontrar uma solução. Também permitiu que certas alterações fossem feitas em Montreal para tentar aliviar a situação. Isto provou ser controverso com algumas equipas, que consideraram incorreto estar a ser implementada uma mudança a meio da época sem todos serem consultados. Por outro lado, entre as equipas que mais têm lidado com o problema, o sentimento foi de satisfação.

A Red Bull, que lidera os campeonatos de pilotos e construtores e tem um carro livre deste problema, não se mostrou disponível para aceitar as mudanças. Segundo o Christian Horner, chefe da equipa, as novas regras só são necessárias devido às falhas de outras escuderias.

“A questão com a Mercedes é mais grave do que com qualquer outro carro. Isso é certamente da responsabilidade da equipa. Não temos tido problemas com os saltos. Penso que o conceito deles é o problema, mais do que o regulamento”, afirmou Horner.

Mattia Binotto, chefe da Ferrari, mostrou-se preocupado com o caminho que a FIA optou por seguir nesta situação. Após a corrida no Canadá, o italiano explicou o seu ponto de vista: “Para nós, a diretiva técnica não é aplicável. Também explicámos isto à FIA. A diretiva técnica está lá para fornecer esclarecimentos sobre as regras existentes, não para fornecer um alterar das regras. Se a FIA quiser regras diferentes por razões de segurança, tem de as comunicar e tê-las formalmente aprovadas".

Dan Mullan

No sábado, houve uma reunião entre os chefes das equipas onde nem todos conseguiram manter a calma. Toto Wolff, chefe de equipa da Mercedes, a mais afetada por este problema, não gostou de ouvir as objeções de alguns dos colegas e acusou o grupo de estar a agir de forma irresponsável.

“Penso que houve um elemento de teatro na reunião. Talvez estejam a considerar um papel no novo filme do Lewis para ele”, disse Horner à imprensa no final da reunião, referindo-se a Wolff.

“As manobras políticas que têm existido não consideram o que está no centro deste tópico”, defendeu Wolff junto da imprensa. “Desde o início da época [que] os pilotos se queixam de dores. Dor nas costas, visão desfocada, estamos a falar de micro concussões e de pessoas a darem o seu feedback em literalmente todas as equipas. Temos de estar conscientes de que não se trata de cortar uma asa que seja uma vantagem para uma equipa, ou um difusor duplo. É que todos nós, chefes de equipa e equipas, temos a responsabilidade de não encarar isto de ânimo leve".

Como durante o GP do Canadá não se chegou a uma conclusão satisfatória, Nikolas Tombazis, diretor técnico da FIA, irá encontrar-se com os diretores técnicos das equipas ao longo desta semana para tentar chegar a um consenso sobre como avançar antes da próxima ronda, em Silverstone.

Exigência de uma investigação

Com as mudanças autorizadas pela FIA, os pilotos da Mercedes terminaram a última corrida nos terceiro e quarto lugares. Hamilton regressou ao pódio, numa época que tem sido tudo menos fácil, e George Russell manteve o seu registo e voltou a terminar uma corrida dentro das cinco primeiras posições.

Peter J Fox

Segundo a revista "Auto, Motor und Sport", o resultado fez soar os alarmes nas garagens rivais, que não estão contentes com a rapidez com que a Mercedes conseguiu resolver os seus problemas. Uma das medidas permitidas pela diretiva técnica foi a utilização de um segundo cabo de apoio para estabilizar a parte inferior do carro. A Mercedes foi, segundo notou Horner, a única equipa a usar essa solução logo no primeiro Grande Prémio.

Binotto e Otmar Szafnauer, chefe da escuderia Alpine, foram outros que se mostraram surpreendidos. "O Toto alegou que instalaram os cabos de apoio durante a noite. Só posso dizer que nós, como Ferrari, não teríamos sido capazes de o fazer", esclareceu Binotto.

Nos últimos dias os rumores que têm circulado são de que Shaila-Ann Rao, que está agora na FIA, mas já trabalhou com Wolff, possa ser a responsável pela passagem de informação. Nada foi provado e, segundo Binotto, cabe à FIA investigar.