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Fernando Santos: “A Turquia dá-se melhor com um jogo mais partido, de ir e vir. Tenho a certeza que vão colocar isso em prática”

Na véspera da meia-final do play-off de acesso ao Mundial (quinta-feira, 19h45, RTP1), o selecionador nacional — que nunca falhou uma grande competição com Portugal — revelou ter "muito poucas dúvidas" em relação a quem vai jogar e lembrou como "Portugal tem dado uma resposta positiva" sempre que teve "jogos decisivos ou que vão dar apuramento"

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ESTELA SILVA/LUSA

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Esta final com a Turquia vai definir o futuro de Fernando Santos?

“Isso nem é questão que se coloque para mim. Estou totalmente focado na final que temos de disputar e sabemos o que temos de fazer a equipa está altamente concentrada e motivado, sabemos que estamos aqui por responsabilidade nossa, assumimos logo isso. Em primeiro lugar, sempre o treinador. Mas isso é passado e para estarmos no Campeonato do Mundo temos de ganhar na quinta-feira à Turquia, só temos pensado nisso.”

A pressão pode gerar ansiedade nos jogadores?

“O que tem acontecido sempre foi um sinal positivo para a sinal, venceu as duas finais em que esteve envolvida. De há uns anos para cá, em jogos decisivos ou que vão dar apuramento, à exceção do último, Portugal tem dado uma resposta positiva. Os jogadores só se deixam influenciar no sentido positivo.”

Os centrais e as rotinas

“Não vale a pena estarmos a falar dos jogadores que não temos. Estão com o grupo, isso sim, através de mensagens ou da sua presença, também fazem parte dos 11 milhões de portugueses por quem temos de jogar. Vou tentar escolher a equipa que, na minha perceção, dá melhores garantias, se os chamei é porque acredito que podem dar uma prestação positiva e ajudarem muito a seleção nacional.”

A análise à Turquia

“A parte forte e fraca vou deixar para os meus jogadores, ontem [terça-feira] já lhes dei a conhecer uma parte, hoje outra; ontem foi o seu processo defensivo, hoje naquilo que será o seu processo ofensivo. É uma equipa com muita qualidade individual, jogam ao melhor nível a maioria deles, em Inglaterra, França, Itália e por aí fora. Os jogadores turcos têm características individuais fortes ao nível da execução e da criatividade, depois é uma equipa muito agressiva no bom sentido, que joga muito com o coração.

Se virmos as entrevistas já concedidas pelos jogadores, o Burak Yilmaz acabou de dizer que a equipa vai jogar com o coração porque vai jogar pelo seu país, são muito competitivos e temos de, pelo menos, igualá-los nesse aspeto, com disse o Zé [Fonte], na paixão, na raça, na entrega ao jogo e na concentração, porque vamos enfrentar uma equipa que tem isso tudo. No mínimo, temos de ser tão fortes como eles, de preferência mais, e depois é aquilo que conta: a criatividade individual e o talento que decidem jogos.

É uma equipa que tem jogadores pontualmente muito importantes, o Çalhanoglou tem alguma determinância no jogo, os jogadores da frente são rápidos e têm mobilidade e a Turquia é uma equipa que se dá melhor com um jogo mais partido, mais vivo, de ir e vir e de corrida, portanto temos de combater isso e não entrar nesse tipo de jogo porque não será tão positivo para nós, pelas nossas características. Temos conversado sobre isso e tenho a certeza que eles vão colocar isso em prática no Estádio do Dragão.”

Ainda tem dúvidas quanto ao onze?

“Tenho muito poucas dúvidas já. Não era muito positivo, a pouco mais de 24 horas do jogo, estar com muitas dúvidas. Há um ou outro posicionamento que podemos ter aqui ou acolá, mas são muito reduzidas já.”

A derrota contra a Sérvia fê-lo passar a pensar de forma diferente?

“Não tivemos mérito, a Sérvia nesse jogo teve algum mérito, mas houve também demérito nosso e começa pelo treinador, porque é o primeiro responsável, mas todos nós temos noção exata que não jogámos bem. Se tivéssemos jogado, tínhamos cumprido o nosso objetivo como sempre o fizemos, mas não fomos tão capazes como costumamos ser.

Não vale a pena repisar isso, gosto mais e acho que todos temos de nos fixar mais naquilo que tem sido o padrão desta equipa: nas finais que disputámos até agora, Portugal foi irrepreensível na atitude, na determinação, na entrega ao jogo e na sua qualidade. Por isso conseguiu alcançar duas vitórias, uma em França e outra aqui no Dragão, na Liga das Nações. Lutámos muito nessas alturas para dar uma alegria aos 11 milhões e nesta queremos, outra vez, dar uma grande alegria a 11 milhões de portugueses.”