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Entrevista ao CEO da Superliga: “Porque é que só a UEFA pode organizar competições europeias? Os clubes podem fazê-lo, e muito melhor”

Bernd Reichart é o novo líder da A22 Sports Management, empresa por detrás do projeto da Superliga. Em conversa com a Tribuna Expresso, o alemão fala sobre o caso que está a ser julgado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, que determinará se a UEFA opera como um monopólio. Apostando no “diálogo”, Reichart garante que “a existência de vagas permanentes" na Superliga está, agora, “fora da discussão”, pretendo-se um “torneio aberto” que não seja só “para um grupo elitista”. E assegura que falar com clubes portugueses está “no topo” da sua lista de prioridades

Pedro Barata

Bernd Reichart, o novo CEO da Superliga

picture alliance/Getty

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A 18 de abril de 2021, 12 clubes causaram um dos maiores terramotos da história recente do futebol europeu, anunciando a criação de uma Superliga à revelia da UEFA. Após forte contestação por parte de outros emblemas, adeptos e até de responsáveis políticos, três dias depois da comunicação ao mundo do projeto já nove dos fundadores tinham anunciado a sua saída.

Mas a Superliga não acabou ali. Continuou no discurso dos responsáveis de Barcelona, Real Madrid e Juventus, que não desistem da ideia, e nos tribunais. Há um processo legal a decorrer no Tribunal de Justiça da União Europeia, o qual determinará se, segundo o direito da concorrência, existe uma situação de monopólio, por parte da UEFA, quanto à organização das competições europeias de clubes. Por outras palavras, para aferir se a entidade máxima do futebol do continente pode proibir e sancionar outros organismos — como a Superliga — que também criem torneios. Espera-se decisão sobre este processo em 2023.

Neste contexto de incerteza, a A22 Sports Management, empresa por detrás da organização da Superliga, contratou, a 19 de outubro, Bernd Reichart para ser o seu CEO. O alemão de 48 anos tem passado como executivo no mundo da comunicação, tendo sido, até há pouco tempo, diretor-geral da RTL Deutschland, na Alemanha.

O mais evidente ao entrar em contacto com Bernd Reichart e com os homens que agora estão responsáveis por dar uma cara pública ao projeto é a mudança na postura. Em abril de 2021, a Superliga foi comunicada de forma quase marginal, com uma página na internet com pouca informação e com uma presença de Florentino Pérez na televisão noturna em Espanha como único verdadeiro momento de transmissão da ideia ao mundo.

Enquanto se espera pela decisão do tribunal e Ceferin vai criticando quem tenha projetos paralelos à Champions, Bernd Reichart veio dar uma face de diálogo à Superliga. O alemão praticamente não diz uma frase sem falar da necessidade de ouvir os protagonistas do futebol europeu, deixando de lado, até, quaisquer imposições quanto ao formato, tudo em nome do “consenso” que diz procurar. O novo líder da competição que — não tendo ainda clubes participantes nem formato definido — pode alterar as bases da bola no continente fala, por videochamada e em exclusivo, com a Tribuna Expresso.

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