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O apagado Neres e a ovelha tresmalhada

Bruno Vieira Amaral escreve sobre Benfica e das boas ilações a retirar do jogo menos conseguido de David Neres, porque certos artistas, depois de terem sido carregados em liteiras, nunca mais querem andar a pé. E pede que se festeje o regresso ao rebanho de Florentino e que se desfrute do seu pulmão de sherpa e inteligência de cefalópode

Bruno Vieira Amaral

Octavio Passos/Getty

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Leio algures que David Neres esteve apagado, fez o pior jogo desde que chegou ao Benfica, foi alvo de uma marcação impiedosa. E fico contente. Porquê? No Benfica, qualquer bom jogador corre o risco de se afogar num mar de elogios extemporâneos. Ainda mal tocou com a ponta dos dedos na água e já lhe adivinham braçadas olímpicas, fenomenais. Um passe de calcanhar, um nó cego, um pontapé de bicicleta, um põe-de-um-lado-e-vai-buscar-do-outro e está encontrado o ai-Jesus do Terceiro Anel.

“O menino é ouro!” deve ser a segunda frase de Béla Guttmann mais conhecida dos benfiquistas que ainda hoje suspiram pela repetição desse momento de Arquimedes aplicado ao futebol. O instante alquímico que não oferece dúvidas, a descoberta do génio que dá sentido a tudo. Embora saiba reconhecer e adotar os que demonstram virtudes guerreiras ou laborais, o que o benfiquista mais deseja é ver aquele jogador que não engana, o génio nato, o artista.

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