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O autocarro amarelo do Arouca contra o atrevimento do alemão

“Olha-me este Fritz, aqui armado em esperto. Deixa-o apanhar o autocarro do Arouca que vai ver como elas mordem”, foi isto, mais ou menos, que Bruno Vieira Amaral ouviu antes do primeiro jogo do campeonato, que arrancou este fim de semana, sobre o nosso futebol "um desporto castrense, fortificado, unhas de fome, mais escanzelado do que frugal, catenaccio sem filosofia e sem elegância, um “josé-motismo”, uma sardinha para cinco, só pão duro e azeitonas, omeletes sem ovos", diz o escritor

Bruno Vieira Amaral

Gualter Fatia/Getty

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Durante uma semana (para ser mais exato, durante três dias) só ouvi falar nos transportes coletivos de Arouca. Quer dizer, desconheço se Arouca tem transportes coletivos, mas toda a gente falava num autocarro, presumo que amarelo, que viria pela A1 e estacionaria insolentemente na relva do estádio da Luz e daria uma lição tático-tuga a um alemão recém-chegado a estas praias onde o tempo útil de jogo vem morrer.

“Olha-me este Fritz, aqui armado em esperto. Deixa-o apanhar o autocarro do Arouca que vai ver como elas mordem”, era assim, mais ou menos, que diziam. Porque uma coisa são os holandeses com aquele futebol liberalíssimo, a tradução futebolística das relações abertas em que não há posse, nem ciúmes, nem preocupações defensivas, um futebol de gente evoluída, poupada mas não avarenta, ou os dinamarqueses que por cá arribaram e assim que sentiram as temperaturas ibéricas derreteram como manteiga ao sol.

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