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Crónica de Jogo

FC Porto - Famalicão. Super João Mário e os brothers

Vitória fácil dos dragões (4-1) frente a um Famalicão que só mostrou a sua qualidade ofensiva na 2.ª parte, num jogo que serviu de redenção para um nem sempre bem-amado João Mário: o lateral foi fundamental em três dos golos do FC Porto. Galeno bisou e o Benfica volta a estar a cinco pontos

Lídia Paralta Gomes

DeFodi Images/Getty

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Um jogo que está decidido ao intervalo será apenas mais uma vitória do cancioneiro das muitas vitórias que uma equipa como o FC Porto consegue ao longo de uma temporada. Frente ao Famalicão, que gosta de olhar em frente, esquecendo-se por vezes do que se passa atrás, os dragões já venciam por 3-0 ao intervalo. Na primeira jogada de ataque da 2.ª parte, fariam mais um golo. E falharam mais uns quantos após o intervalo.

Mas o que é apenas mais uma vitória, ainda que esta coloque o campeão nacional de novo na rota do título, a cinco pontos do líder Benfica, para um jogador poderá ser um ponto de inflexão, a derradeira redenção. João Mário, nem sempre bem-amado por Sérgio Conceição, talvez por não andar sempre nas altas rotações que são exigidas pelo técnico, foi decisivo em três dos golos do FC Porto. Foi para Sérgio Conceição ver e aprovar, ele que chegou a tirar o jovem extremo-feito-ala da equipa num largo período, insatisfeito com o que João Mário mostrava, ou não mostrava, em campo.

O regresso tem sido em crescendo. João Mário foi este domingo titular pelo sétimo jogo consecutivo na lateral direita. Há um par de dias, no jogo da Taça frente ao Arouca, deu duas assistências. Hoje os números falarão apenas de uma, mas até a bola chegar à baliza há muito por onde passar.

Logo aos 10’, no primeiro golo do FC Porto, João Mário foi uma espécie de distribuidor, avançando em campo com a ajuda inestimável das tabelinhas com Otávio. Encontrado o espaço, a bola seguiu para Toni Martinez. Ao segundo poste, livre de qualquer amarra rival, apareceu Galeno, que só teve de encostar. Que foi também o que lhe foi pedido 10 minutos depois, no 2-0 do FC Porto, depois de um drible suave de João Mário abrir as linhas e passe e permitir o passe atrasado para Taremi à entrada da área. Luiz Junior defendeu o remate do iraniano, Galeno estava lá para a recarga.

DeFodi Images/Getty

Antes do intervalo, Otávio ainda faria num remate frontal o 3-0, após um bom trabalho de Galeno pela esquerda, numa primeira parte em que o FC Porto aproveitou todas as fragilidades do processo defensivo do Famalicão, uma equipa trabalhada e talhada para atacar. Nos primeiros 45 minutos, apenas Ivan Jaime assustou aqui e ali a defesa do FC Porto.

O FC Porto faria o quarto golo logo no arranque da 2.ª parte, agora sim com assistência de plenos poderes de João Mário, a cruzar perfeito para o cabeceamento também perfeito de Taremi. Era a fitinha de uma exibição que não precisava de estatísticas nem de números cintilantes para ser decisiva.

Com tudo decidido, rapidamente o jogo se tornou uma pequena anarquia tática, o que foi, pelo menos, interessante para o espectáculo. Já com uma goleada às costas, a qualidade ofensiva do Famalicão apareceu finalmente no Dragão, com direito a golo aos 52’ por Rui Fonte e mais um par de oportunidades e boas jogadas de ataque, não poucas vezes com Ivan Jaime e Pablo como criadores.

O FC Porto também poderia ter engordado a vantagem. Taremi ainda voltou a colocar a bola na baliza, num chapéu fabuloso, mas o lance foi anulado por mão do avançado, num daqueles momentos em que a legalidade fez mal à arte. Galeno, outra das exibições em destaque no FC Porto, teve o hat-trick nos pés em jogadas seguidas aos 75’.

A vitória coloca o FC Porto de novo a cinco pontos do Benfica, num campeonato que poderá animar a partir daqui, com o SC Braga como convidado inesperado. Essa será sempre a melhor notícia para Sérgio Conceição. Mas ver um jogador a dar a volta e a resolver jogos após um período difícil é o que fica na pedra deste jogo.