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Crónica de Jogo

SC Braga - Benfica. A primeira derrota da era Schmidt não foi um tropeço, foi um trambolhão

Que o primeiro desaire da época (3-0) para os encarnados tenha sido obra do SC Braga não é necessariamente um escândalo mas, na Pedreira, o que surpreendeu foi a completa incapacidade do líder da I Liga de responder aos desafios do adversário, depois de uma primeira fase da época sem mácula. Ricardo Horta bisou. E, de repente, o campeonato fica animado

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOPA/Getty

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Reentrada absolutamente falhada do Benfica neste retomar da I Liga, apequenado por um SC Braga que ainda há dias foi goleado pelo Sporting na Taça da Liga, respondendo esta sexta-feira com um jogo trabalhado de forma exemplar por Artur Jorge, perfeito na abordagem tática a uma equipa que ainda não havia perdido esta época.

A derrota dos encarnados, a primeira oficial da temporada, aconteceu na ressaca pós-Mundial, um 3-0 que a pecar será por escasso. Queimado pelo descalabro frente ao Sporting, Artur Jorge percebeu onde tinha de proteger e projetar a equipa, surgindo muitas vezes com superioridade no meio-campo, onde André Horta, Al Musrati e Uros Racic calcorrearam todos os metros quadrados disponíveis. O Benfica, por sua vez, vendo-se manietado no miolo, só na 2.ª parte deu latitude ao seu jogo. Mas aí já era tarde demais.

E o tarde demais começou com pouco mais de um minuto no relógio, que foi o que o SC Braga precisou para marcar, numa jogada de insistência na área do Benfica, com Iuri Medeiros a ter a cabeça fria para encontrar Abel Ruiz, que praticamente sem oposição bateu Odysseas. O golo, não se demoraria a perceber, não tinha sido um acaso, um momentâneo pico de sorte: apoiado num 4-3-3 muito sólido ao qual o Benfica nunca conseguiu dar resposta, a primeira parte dos minhotos foi excelente. Os encarnados, mesmo com bola após o golo, moíam o jogo sem criatividade para chegar ao último terço.

A partir dos 25 minutos, e depois de um período de maior equilíbrio, voltou a carga do SC Braga, com uma panóplia de ataques rápidos e combinações que faziam miséria no meio-campo do Benfica. Aos 27’, Abel Ruiz ia bisando, depois de um erro na saída repartido por Florentino e Enzo - muito abaixo do costume, com a cabeça talvez na Argentina, ainda no Catar ou já em Londres. E aos 32’ surgiria mesmo mais um golo dos da casa, com Ricardo Horta a terminar um bom desenho ofensivo da equipa, com Ruiz a trabalhar bem na área entre uma série de adversários, deixando para o internacional português rematar. Vlachodimos talvez pudesse ter feito mais, mas a bola terá ainda sofrido um desvio.

DeFodi Images

Ao intervalo, Schmidt mexeu, lançando Musa e tirando Florentino, puxando Aursnes para a zona central e Rafa para o lado direito. O Benfica ganhou finalmente a largura que faltou na 1.ª parte e criou logo perigo nos primeiros minutos, mas seria fogo-fátuo, com o SC Braga rapidamente a organizar-se. Mais uma vez, as exibições de André Horta, Al Musrati e Racic foram instrumentais para a ideia de Artur Jorge resultar.

E com possibilidades de matar o jogo na expectativa, aproveitando a aparente apatia do Benfica, que pareceu sempre uma equipa cansada, de pouca atitude durante o jogo, Ricardo Horta fez o bis numa jogada que começou numa reposição longa de Matheus, que encontrou Iuri Medeiros lançado e Alexander Bah a dormir, abordando mal o lance e deixando o açoriano fugir e passar para um isolado Horta fazer o 3-0.

O SC Braga tornava-se assim apenas a segunda equipa a marcar três golos ao Benfica esta época, deixando, pelo caminho, o campeonato mais animado: na jornada que marca o arranque da segunda fase da época, do pós-Mundial que tanto pode mudar, o FC Porto está agora a apenas cinco pontos do Benfica e os bracarenses a seis. Já se viram reviravoltas mais esquisitas na nossa liga.