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Às portas do início da Volta a Portugal, e depois do caso W52-FC Porto, há mais buscas e mais atletas suspensos

Francisco Campos (Efapel) e Daniel Freitas (Boavista) foram afastados pelas respetivas equipas depois de a PJ ter efetuado buscas a várias formações do pelotão nacional. A empresa responsável pela prova emitiu um comunicado a assegurar-se “concentrada” na organização do evento, sublinhando que “age apenas perante decisões e resoluções das entidades que superintendem a justiça desportiva”

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Luc Claessen/Getty

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No dia 27 de julho, a União Ciclista Internacional (UCI) suspendeu a W52-FC Porto de todas as provas de ciclismo, o que, naturalmente, inclui a participação na Volta a Portugal, que arranca esta quinta-feira. Oito ciclistas e dois elementos da equipa técnica já tinham sido preventivamente suspensos pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), por suspeitas de doping.

No entanto, sabe-se agora, através do “Jornal de Notícias”, que, na terça-feira, a dois dias do início da prova, a Polícia Judiciária voltou a fazer buscas em várias outras equipas, como a Rádio Popular-Paredes-Boavista, a Efapel ou a Glassdrive-Q8-Anicolor. Em resultado da investigação, Francisco Campos (Efapel) e Daniel Freitas (Boavista) foram afastados da Volta pelas respetivas equipas. A informação foi confirmada à Lusa pelos diretores desportivos José Azevedo e José Santos. A Glassdrive admitiu que tem um corredor a ser investigado, mas o seu diretor desportivo, Rúben Pereira, não quis para já revelar a sua identidade.

Ao "Record", Joaquim Gomes, diretor da prova disse desconhecer "ao detalhe o que se está a passar", mas lamentou o momento atual do ciclismo português. "Tenho um sentimento de vergonha por aquilo que se está a passar. É uma enorme desilusão. As pessoas não aprendem, tendo em conta o que se passou recentemente", sublinhou, referindo-se à suspensão da W52-FC Porto.

A Podium, empresa responsável pela organização da mítica prova, viu-se na obrigação de emitir um comunicado, garantindo que se mantém “concentrada” na Volta e que apenas age “perante decisões e resoluções das entidades que superintendem a justiça desportiva".

"A organização da Volta a Portugal em bicicleta tem acompanhado os desenvolvimentos que têm vindo a público sobre ações levadas a cabo pela Polícia Judiciária e pela ADoP, Autoridade Antidopagem de Portugal, junto de algumas equipas profissionais de ciclismo", admite a Podium, co-autora do “protocolo destinado à autorregulação da comunidade profissional portuguesa [de ciclismo]”.

“Temos a certeza de que, durante quase duas semanas, como sempre acontece no verão, o país continuará a viver de forma apaixonada e debruçado sobre a estrada as intrépidas aventuras dos heróis de bicicleta", conclui o comunicado da organização.

A Volta a Portugal começa na 5.ª feira, com um prólogo em Lisboa, e termina no dia 15, com um contrarrelógio individual entre o Porto e Vila Nova de Gaia.