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Tour. A glória é de Vingeggard, de Wout van Aert, da Jumbo-Visma. E em Paris venceu Philipsen

Estava no ar a possibilidade de Van Aert vencer também nos Campos Elísios, mas o belga preferiu cortar a meta em equipa, junto dos seus companheiros, para a consagração de Vingeggard. O triunfo no mais belo dos palcos do ciclismo foi para outro belga, Philipsen, da Alpecin, que bisa nesta espectacular edição da Volta a França, que teve este domingo o seu final

Lídia Paralta Gomes

GONZALO FUENTES / POOL/EPA

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Apetece dizer que Wout van Aert escolheu não ganhar nos Campos Elísios. Há um ano, o belga que é uma espécie de faz-tudo do ciclismo venceu ali, no palco mais bonito, mítico e iluminado da modalidade, que todos os sprinters querem um dia provar. Van Aert não é um sprinter puro, como não é um escalador puro ou um rolador puro, é absolutamente competente em tudo isso e daí aquela camisola verde que lhe cola no peito, símbolo dos pontos mas, essencialmente, marca da regularidade. Venceu três etapas, ficou em segundo lugar em mais uma série delas. E, pelo meio, ajudou Jonas Vingegaard a conquistar o que parecia impossível.

Apesar de ser provavelmente o mais completo ciclista do mundo, Van Aert escolheu estar ao lado da equipa, a Jumbo-Visma, e deixar a glória pessoal de lado. Depois de uma tentativa de fuga ao quilómetro zero - que não passou, na verdade, de uma pequena brincadeira, paradigmática do seu jeito de correr - não foi ao sprint final e cortou a meta na traseira do pelotão, abraçado aos outros quatro resistentes de uma equipa que foi fustigada por lesões, doenças, covid-19.

Ao centro, o dinamarquês Vingegaard, que nem sequer era a maior aposta da equipa (seria Primoz Roglic, que caiu nas primeiras etapas e deixou o Tour mais cedo), quanto mais o maior candidato à vitória final. Mas Jonas confirmou que aquele 2.º lugar de 2021 não foi um acaso. Há um ano, foi o único a arranhar por momentos o domínio de Tadej Pogacar e este ano a Jumbo-Visma montou a equipa para rebentar com o esloveno na tática, na estratégia, no coletivo. Funcionou e aquele champanhe partilhado pelos ciclistas da equipa é mais que merecido.

MANTEY STEPHANE / POOL/EPA

Sem Wout van Aert interessado a juntar mais uma estrela no seu currículo já impressionante, a contenda seria para disputar entre os verdadeiros sprinters, conjetura que Tadej Pogacar ainda tentou baralhar com um ataque à entrada da última volta pelo percurso cénico que faz o check aos mais emblemáticos monumentos e pontos turísticos de Paris. Não resultou, mas seguramente haverá belas fotografias do rapaz da UAE Emirates, que aos 23 anos aceitou a inesperada derrota com uma leveza e graciosidade invejáveis para alguém da sua idade.

O ataque, diga-se, não era um sinal de despeito, uma tentativa de algo, um golpe de teatro. Pogacar há muito que sabe que este Tour não seria seu, que Vingegaard era o mais forte, mas não podia deixar de ser um pouco Pogacar neste último dia: sempre pronto para o ataque, para abanar, para dar show. E que melhor sítio que não os Campos Elísios, as ruas de Paris. Numa entrevista à AFP, Christian Prudhomme, o homem que dirige o Tour, diz que estamos perante uma “forma de correr completamente nova”, menos cínica, mais virada para o espectáculo, para a emoção, para o adepto. É aproveitar enquanto existe.

O ataque de Pogacar foi curtinho, mas terá dado cabo de algumas estratégias das equipas do pelotão que queriam ver os seus homens rápidos mais à frente. Como sempre, as chegadas nos Campos Elísios são caóticas e nos últimos metros formou-se um pequeno grupo de onde saiu o vencedor: o belga Jasper Philipsen (Alpecin), que tinha uma etapa no bolso e fica agora com a estrela ao peito da vitória em Paris. O belga bateu Dylan Groenewegen e Alexander Kristoff na meta. O Tour, esse, regressa no próximo ano. De preferência tão espectacular quanto este.