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A pujança de Bah, as bolas paradas e o eterno abraço dos emigrantes

Ao quarto jogo de pré-época, o Benfica conseguiu a quarta vitória, batendo (4-2) o Girona. Na Suíça, a equipa de Schmidt sentiu o carinho dos adeptos e, depois de uma primeira parte morna, voltou a ter Bah em destaque

Pedro Barata

Gualter Fatia/Getty

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São muitos os sinais que nos indicam que estamos em pré-época: jogos com muitas substituições, rumores, amores e desamores, encontros dos gigantes mundiais em Singapura num dia, na Austrália noutro e em Las Vegas no seguinte. A juntar a estes indícios, bem poderíamos acrescentar particulares de equipas portuguesas na Suíça, lugar de eleição de muitos julhos quentes, espaço de promessas e dúvidas. E de encontros com emigrantes, claro.

Foi em Yverdon-les-Bains que o Benfica voltou a sentir esse calor de quem se sente perto de casa ao ver camisolas encarnadas. Após o triunfo, por 4-2, contra o Girona, a invasão de campo pacífica deu para tudo, desde abraços, selfies e até pedidos para que Diego Moreira fizesse um tik-tok com uma espetadora. Porque nem tudo são pormenores clássicos, há também modernidade nisto do futebol de verão.

Antes de vermos o campo coberto por adeptos do Benfica, a equipa de Roger Schmidt conseguiu a quarta vitória em quatro encontros deste período pré-competitivo. Depois de bater o Reading (2-0), o Nice (3-0) e o Fulham (5-1), foi um recém-promovido à La Liga a ser derrotado num desafio em que todos os golos vieram no segundo tempo.

Gualter Fatia/Getty

Na primeira parte, com Helton Leite na baliza, Gilberto, Otamendi, Morato e Grimaldo na defesa, Florentino e Enzo no meio-campo e Neres, Rafa, João Mário no apoio a Gonçalo Ramos, pouco aconteceu. A partida foi morna, sonolenta, talvez afetada pelo calor que se fazia sentir. Como que apelando a uma tarde de sesta, o ritmo foi baixo e as oportunidades escassas.

O Benfica até começou a ameaçar por Gonçalo Ramos e Neres e o Girona a responder por Stuani, mas foram exceções à regra. A pressão dos lisboetas era mais descoordenada, com Florentino e Enzo menos alinhados, e o nulo ao intervalo chegou sem surpresa. Nas bancadas, a festa continuava, porque para quem lá estava a mera proximidade dos ídolos já era motivo de celebração.

Para o segundo tempo, Schmidt fez entrar uma equipa nova, mas até foi o Girona a marcar primeiro, por Stuani, aproveitando um mau alívio de Meite após livre lateral. O único golo que o Benfica tinha sofrido nesta pré-época havia sido de canto, mantendo-se a tendência de só encaixar em bolas paradas.

No entanto, 15 minutos depois do golo sofrido já o Benfica vencia por 3-1. E com um reforço como protagonista.

Alexander Bah já tinha dado boas indicações e, contra o Girona, escassos segundos depois de entrar já estava a fazer um cruzamento tenso da direita que Diego Moreira quase desviou para golo. O dinamarquês está-se a revelar ofensivo e dinâmico, com capacidade penetração na área e bom cruzamento — perto do final quase assistiu, também, Rodrigo Pinho.

Aos 57', na sequência de um canto, Vertonghen empatou, e aos 60' Bah, o lateral-direito, apareceu descaído para a esquerda da área para, de canhota, rematar cruzado para o 2-1. A pujança do nórdico é uma das notas de destaque deste verão benfiquista.

Pouco depois, Yaremchuk aumentou para 3-1 após falta sobre Chiquinho e o Girona reduziu para 3-2 na sequência de um livre lateral. As bolas paradas foram protagonistas em ambas as balizas, com o Benfica a revelar acerto ofensivo e desacerto defensivo — os três golos que sofreu nesta pré-época vieram de lances em que a bola começa parada.

Até final, Rodrigo Pinho, Musa, Paulo Bernardo e Diogo Gonçalves ainda entraram, com o avançado brasileiro a selar o 4-2 numa bela finalização. Terminado o duelo, os jogadores do Benfica tiveram uma demorada saída do campo, tantas eram as solicitações dos espectadores. Para ninguém terá significado tanto esta tarde de pré-época na Suíça como para aqueles que sentiram um cheirinho a Portugal naquele relvado.