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Só chegar a meio da festa e mesmo assim ir muito a tempo

O Benfica como que não compareceu à 1.ª parte do para lá de importante jogo com o Sp. Braga e ao intervalo perdia por 1-0. Mas voltou para uns segundos 45 minutos em que conseguiu impor o seu estilo rápido, de transições fortes. Os golos apareceram e o 4-1 deixa os encarnados agora isolados na frente do campeonato

Lídia Paralta Gomes

OCTAVIO PASSOS/EPA

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Para quem como esta que vos escreve é, digamos, socialmente esquisito, a logística de ir a uma festa é toda uma empreitada. Não gostamos de aparecer muito cedo porque o mais certo é ficarmos durante largos minutos a olhar para o telemóvel e a evitar qualquer contacto visual antes de aparecerem caras conhecidas. Mas aparecer tarde também tem riscos. Porque nunca se sabe o que pode acontecer numa festa e não estar lá quando, por ventura, alguém faz um anúncio importante ou dá um show na pista, é uma pena.

Às vezes, dá-se aquele acaso feliz que é chegarmos a meio e mesmo assim aproveitarmos tudo o que a festa tem para dar. Um bocadinho como o Benfica este domingo na Pedreira, que falhou o início, mas chegou bem a tempo de ser o rei da matiné.

Porque nos primeiros 45 minutos de jogo, o Benfica não esteve. Ou se esteve estava num canto, escondido, intimidado pelo tipo grande, falador e que mete medo. Não que goste de explicar metáforas, mas o tipo grande, falador e que mete medo aqui é o Sp. Braga. Porque o Sp. Braga chegou à festa para mandar, para definir as regras, para dizer que música passava nas colunas, até porque a festa era em sua casa e o dono da casa tem sempre prioridade na hora de escolher o ritmo.

E o ritmo do Sp. Braga foi mandão, agressivo. Na 1.ª parte, o Benfica teve muitas dificuldades em colocar em campo o seu jogo, face a uma equipa da casa a mandar no meio-campo e a não permitir que a posse do Benfica tivesse qualquer efeito prático. O Sp. Braga não criava perigo (apesar dos 10 remates), mas controlava com segurança.

Com tal segurança que, às tantas, o Benfica pareceu até adormecido. Aos 32’, Fransérgio pegou na bola e foi por ali fora, enquanto nenhum jogador do Benfica arriscava a falta que parecia ali essencial. Não a quis fazer Florentino nem Ferro e quando o brasileiro foi parado por Rúben Dias já estava dentro da área. Grande penalidade e golo para Wilson Eduardo.

HUGO DELGADO/EPA

Das tentativas do Benfica entrar no ritmo da festa durante a 1.ª parte pouco se pode dizer. A única jogada digna desse nome já apareceu perto do intervalo, um esforço coletivo que levou a bola aos pés de André Almeida à entrada da área. O remate não saiu assim tão longe.

Talvez tenha sido o aviso de que o Benfica estava a chegar, pronto para assumir a pista. Será exagero dizer que na 2.ª parte os encarnados apareceram transfigurados, mas pelo menos com intenções mais definidas.

O primeiro aviso chegou por João Félix, aos 52’, com um remate à meia-volta salvo pelos reflexos de Tiago Sá, que a afastou para o poste. Isto tudo após uma jogada em que a engrenagem coletiva do Benfica já parecia bem mais oleada.

O golo não demoraria. Aos 57’, João Félix caiu na área, num lance muito contestado pelo Sp. Braga, e Pizzi fez o empate dos 11 metros. Repetiria o gesto aos 66’, em mais uma grande penalidade, desta vez por aquilo que o árbitro considerou mão na bola de Bruno Viana.

E assim estava feita a cambalhota no marcador, que evitaria outras cambalhotas para o Benfica. Ou seja, aquela que se poderia dar na classificação do campeonato.

A entrada forte na festa fez bem ao Benfica que a partir daí pegou no jogo com saídas fortes e transições rápidas que colocaram muitos problemas ao Sp. Braga. Ainda mais quando aos 69’ Rúben Dias fez o 3-1, com um grande cabeceamento a responder a um canto de Pizzi.

OCTAVIO PASSOS/LUSA

Do Sp. Braga, na 2.ª parte, só se viu mesmo um fogacho, quando Dyego Sousa tentou remate acrobático aos 79’, sem força suficiente para assustar Vlachodimos.

O Benfica, esse, mesmo a ganhar por 3-1, foi à procura de mais. Aos 89’, João Félix primeiro e Seferovic depois estiveram muito perto do golo, mas seria Rafa a fechar as contas, com um slalom entre os já de rastos defesas bracarenses, um grande golo para fechar o resultado e o jogo.

E com tudo isto, em 45 minutos o campeonato passou de uma coisa para outra. Passou de uma vantagem do FC Porto para a liderança isolada do Benfica, que apareceu a meio para tomar conta da festa, ainda que não chegar logo de início tenha os seus riscos.

Quanto ao Sp. Braga, capitulou cedo após uma 1.ª parte muito forte. Porque nem sempre dá para aguentar a festa toda.