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A Rússia prendeu Brittney Griner e o imbróglio diplomático adensa-se. Joe Biden critica decisão “errada” e “inaceitável”

A justiça russa condenou a basquetebolista por tráfico de droga e o presidente dos EUA reagiu prontamente, pedindo ao país que a "liberte imediatamente" e garantindo que o governo americano vai "continuar a trabalhar incansavelmente até trazer Brittney Griner de volta"

Diogo Pombo

KIRILL KUDRYAVTSEV/Getty

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A detenção de Britney Griner “é mais uma lembrança do que o mundo já sabia”, lê-se ao início da declaração oficial de Joe Biden: “A Rússia está a detê-la erradamente”. Na sua reação à sentença de nove anos e meio de prisão decretada, esta quinta-feira, pela justiça russa, o presidente dos EUA descreveu ainda como “inaceitável” a decisão do tribunal, urgindo o país liderado por Vladimir Putin a “libertar imediatamente” a basquetebolista.

Detida na Rússia desde 17 de fevereiro por ter óleos canabinóides, vaporizadores e outros produtos na sua bagagem de viagem, Brittney Griner, de 31 anos, foi considerada culpada do crime de tráfico de droga e condenada a cumprir uma pena de nove anos e meio de prisão (a sentença máxima era de 10 anos).

A basquetebolista da WNBA viajou para o país com o intuito de jogar por uma equipa russa durante a off-season da liga profissional norte-americana, ou seja, apenas durante alguns meses da temporada, prática comum a muitas jogadoras para receberem um salário com valores superiores. Griner ia a caminho de se juntar ao UMMC Ecaterimburgo, equipa pela qual jogaria nos play-offs do campeonato da Rússia.

Reagindo à decisão da justiça russa, os advogados de Brittney Griner afirmaram estar “muito surpreendidos” pela decisão da justiça russa, escreve o “New York Times”, dizendo que vão “olhar para todas as possibilidades de acordo com a situação e os desejos” da jogadora. Porém, a mesma equipa garantiu que irá “certamente” apresentar um recurso, criticando o tribunal de Moscovo pelo veredicto “absolutamente não razoável” que “ignorou por completo todas as provas” apresentadas.

A voz crítica do presidente dos EUA juntou-se à de outros representantes do país, além das reações vindas da WNBA e da NBA. Ao falar aos jornalistas diante da embaixada americana em Moscovo, Elizabeth Rood, a número dois na representação diplomática americana na Rússia, denunciou o “erro de justiça” feito pelo tribunal e que “nada na decisão tomada” muda a “determinação” do governo do seu país de que Brittney Griner está a ser “detida erradamente”.

Os comissários das duas ligas de basquetebol americanas reagiram, em conjunto, à prisão da jogadora, catalogando-a como “injustificada e infeliz, mas não inesperada”. Em comunicado, frisaram “o compromisso” em fazer Brittney Griner “regressar de forma segura a casa não esmoreceu” e “a esperança” de que o processo “esteja perto de fim”. E Terri Jackson, diretora-executiva do sindicato de jogadoras da WNBA, enalteceu que uma troca de prisioneiros “é criticamente importante” e que a organização “está a contar” com “a administração” liderada por Joe Biden.

A dirigente tocou no único ponto que poderá livrar Brittney Griner de cumprir a sentença. Diversos jornais americanos noticiaram, nas últimas semanas, que os EUA já teriam iniciado negociações com o governo do Kremlin para que a basquetebolista - e Paul Whelan, um antigo marine que também está detido na Rússia - fosse ‘trocada’ por Viktor Bout, traficante de armas russo condenado, em 2011, a 25 anos de prisão por um tribunal de Nova Iorque por quatro crimes, incluindo o de conspirar para matar cidadãos americanos. Apesar de negar, insistentemente, ter colaborado com os serviços secretos russos, a sua história até inspirou o filme “Lord of War”, protagonizado por Nicolas Cage.

Deverá ser por esta via que a administração de Joe Biden trabalhará a libertação de Brittney Griner, já que Viktor Bout, afamado pela alcunha de “O Mercador da Morte”, será o cidadão russo preso nos EUA com o perfil mais mediático.