Tribuna Expresso

Perfil

A casa às costas

“Na Suécia, se elas comiam brócolos, eu imitava. Elas eram as melhores. Era pequena ao lado delas, mas com a bola nos pés sentia-me grande”

A paixão pelo futebol começou cedo para Cláudia Neto e foi alimentada pelos pais, que mudaram de concelho algarvio para ela poder começar a jogar futsal num clube. Após o primeiro contacto com o futebol de 11, na seleção, percebeu ser ali que estava o seu futuro. Aos 19 anos partiu para Espanha e só regressou agora, passados 15 anos. Neste Casa às Costas, a jogadora do Sporting fala das dificuldades no início da carreira até à ida para a Alemanha, onde mais títulos conquistou e sobre os quais falamos na segunda parte que pode ler no domingo

Alexandra Simões de Abreu

Sporting CP

Partilhar

Nasceu em Portimão de parto prematuro. É verdade que pensaram que não sobrevivia?
Nasci com seis meses e duas semanas e a minha mãe contou-me que a enfermeira dizia-lhe que eu não tinha muitas chances de vida, que só ia durar uns dias, não tinham muita esperança que conseguisse safar-me. Mas, de um momento para o outro, comecei a desenvolver e a dar sinais. Quem diria que iria tornar-me futebolista profissional [risos].

Foi a primeira filha?
Não, tenho uma irmã, a Beatriz, ano e meio mais velha.

Que profissão tinham os seus pais quando nasceu?
A minha mãe, que também se chama Beatriz, sempre teve um negócio de aluguer de casas, no verão, de resto estava em casa, era doméstica. O meu pai, Helder Neto, era pintor na Câmara de Portimão, neste momento já está reformado.

Quando era pequenina o que dizia querer ser quando fosse grande?
Que me lembre sempre quis ser jogadora de futebol.

De onde veio essa paixão pelo futebol, tem noção?
A minha mãe conta que desde muito pequena eu não queria bonecas, não queria Barbies, não queria nada disso, só queria bolas de futebol como prenda de natal e de aniversário. Cheguei a ter um quarto só com bolas e eram mais de 30. Com os meus sete, oito anos, ia com o meu pai para os treinos dele, ele era jogador do Alvorense. Fizesse sol ou chuva, ia sempre com ele aos treinos que eram à noite. Foi a partir daí que comecei a ganhar o gosto. Ele incentivou-me e também viu que eu tinha algum jeito, que gostava muito.

Da escola, gostava?
Sempre fui aluna de 10, 11 valores, nunca fui uma excelente aluna e para ser sincera também nunca gostei muito da escola, gostava era dos intervalos para poder jogar à bola [risos].

Os rapazes aceitavam e deixavam-na jogar com eles?
Alguns achavam um bocadinho estranho, mas quando eu começava a jogar, viam que eu tinha jeito e posso dizer que nunca tive nenhum episódio em que tivesse problemas com algum deles, sempre me deixaram jogar, foi tranquilo.

Artigo Exclusivo para assinantes

No Expresso valorizamos o jornalismo livre e independente

Já é assinante?
Comprou o Expresso? Insira o código presente na Revista E para continuar a ler