Tribuna Expresso

Perfil

A casa às costas

“Disse ao Godinho Lopes que nunca o perdoaria. Prometi à família que alugava um autocarro para irem ver a final da Taça e fomos despedidos”

Miguel Cardoso licenciou-se em Educação Física, deu aulas, fez a tropa, o mestrado e esteve oito anos na formação do FC Porto a apreender a cultura do clube e os conhecimentos de várias figuras que por lá passaram, entre elas Ilídio Vale e José Mourinho. Como adjunto de Domingos Paciência, com quem esteve seis anos, deu o salto. Na segunda parte deste Casa às Costas, revelará histórias dos anos passados fora já como treinador principal e explica o gesto no Bessa, há um ano, quando era treinador do Rio Ave

Alexandra Simões de Abreu

Juan Manuel Serrano Arce

Partilhar

É natural da Trofa. Filho de quem?
O meu pai, José Manuel, é licenciado em Educação Física. Foi treinador de natação e de futebol, e era chamado professor Cardoso da Trofa. Fez um percurso como treinador de futebol cujo ponto mais alto foi no Leixões, mas esteve pouco tempo. A minha mãe trabalhava numa empresa alemã na Trofa, fazia tudo o que era ligação à parte internacional da empresa, porque falava muito bem alemão. Tem um nome curiosamente de origem alemã, que vem da avó, Edviges.

Tem irmãos?
Tenho, o Luís Cardoso, três anos mais novo, que também tirou Educação Física e também tem percurso como treinador. Trabalhou no Boavista, esteve no Estarreja e no Trofense. Esteve muito tempo ligado à coordenação da formação quer no Trofense, quer no Famalicão e foi treinador do Famalicão. Temos dois ou três momentos muitos giros em que nos cruzamos. Um foi num FC Porto B-Famalicão em que o meu irmão foi o treinador porque o treinador principal tinha sido castigado; eu era adjunto do Bandeirinha na equipa B do FC Porto. Cruzámo-nos mais tarde, era eu adjunto do Domingos Paciência no SC Braga e o meu irmão adjunto, no Boavista. Foi num jogo-treino, em Braga, temos uma fotografia desse momento, ele vestido à Boavista e eu à Braga.

O que dizia querer ser quando fosse grande?
É uma boa pergunta, mas não tenho ideia. Sempre fui um menino muito aplicado, sempre vi o meu trabalho, o meu esforço, a minha aplicação no que fazia como sendo aquilo que me iria levar ao meu futuro.

Não deu mesmo dores de cabeça aos pais?
Não. A minha infância é passada na rua e na minha casa a brincar com os meus amigos. Ou em casa dos meus avós maternos que têm uma influência muito grande na minha educação, nos meus valores, na minha forma de estar na vida. Foi um casal tão particular na vida, como na morte. A minha avó faleceu e o meu avô disse-nos nesse dia que queria morrer também e passado dois dias faleceu. Transformou a nossa vida porque havia de facto uma ligação quase umbilical à casa deles, onde passávamos os Natais, as Páscoas, seguíamos o compasso. Os meus pais trabalhavam e nós passávamos muito tempo ali, na rua, com as portas de casa abertas.

Qual foi o primeiro desporto que começou a praticar?
Eu joguei futebol federado a um nível muito baixo no Trofense e durante pouco tempo. Devia ter uns 13 ou 14 anos. Foi dois anos no máximo.

Artigo Exclusivo para assinantes

No Expresso valorizamos o jornalismo livre e independente

Já é assinante?
Comprou o Expresso? Insira o código presente na Revista E para continuar a ler