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A casa às costas

“Quando cheguei à Grécia, a casa do dirigente dos árbitros foi incendiada e o campeonato começou um mês mais tarde”

Luís Rocha esteve na Grécia duas épocas e meia e, apesar de ter gostado dos gregos e das ilhas, não ficou com saudades do clube, nem da cidade onde viveu. Partiu para o Lechia de Varsóvia, pela mão de Sá Pinto, foi campeão no clube, mas as mudanças de treinador relegaram-no para a equipa B, onde se recusou a ficar. Seguiu-se o Cracóvia e confessa que ficou impressionado com a visita que fez a Auschwitz. A viver um período menos bom na Polónia, diz que vê com bons olhos um regresso a Portugal, sobretudo desde que a filha, Camila, nasceu, há quase um ano

Alexandra Simões de Abreu

D.R.

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Quando lhe falaram na hipótese de ir para o Panetolikos da Grécia, qual foi a sua reação?
[Risos] Acho que não fiquei muito entusiasmado. Primeiro porque era um clube que não conhecia de lado nenhum, fiquei com o pé atrás. O que me fez avançar, o que me deu ânimo, foi o facto de irem mais portugueses. Foi o ponto fulcral, senão acho que não tinha ido.

Não foi o dinheiro, nem o projeto futebolístico?
Não. Em relação ao projeto, na altura o que nos disseram é que o clube queria jogadores estrangeiros para tentar lutar por um lugar na Liga Europa. Mas eu fui por haver vários portugueses. Iam o Tomané e o Miguel Rodrigues e o Cristiano já lá estava. Sabia que ia ser mais fácil para a minha adaptação.

A sua namorada também torceu o nariz à Grécia?
[Risos] Eu acho que a Sofia não queria que eu fosse. Nunca tinha saído da casa dos pais, já trabalhava, era personal trainer e dava aulas de grupo num ginásio e adorava.

O Panetolikos tinha melhores ou piores condições que o Vitória?
Melhores não. Sendo um clube que estava do meio da tabela para baixo, tinha um centro de treinos bom, boas condições de trabalho, não me posso queixar. O único problema desse clube era estar situado na cidade em que estava [Agrinio]. Se estivesse em Atenas ou em Salónica, tinha tudo para ser um dos seis, cinco melhores clubes da Grécia.

Em que é que o prejudicava não estar numa grande cidade? Falta de adeptos?
Tinha adeptos fervorosos também. Mas… por exemplo, todas as vezes que eu queria ir a Portugal ou estar num sítio melhor, em Atenas, tinha de fazer três, quatro horas de carro. Era muito. A maior parte das vezes apanhava o avião e nunca tinha voo direto, tinha de fazer escala em algum lado. Era muito cansativo.

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