Tribuna Expresso

Perfil

A casa às costas

“No Benfica, o conto de fadas tornou-se pesadelo. Jesus é um senhor a perceber de futebol, mas não é um treinador fácil”

Na terceira época ao serviço do Moreirense, Steven Vitória explica porque considera ter tido poucas oportunidade para vingar no Benfica, fala do conforto que sentiu nos EUA, onde ganhar ou perder é quase a mesma coisa e recorda com saudade os três anos vividos na Polónia, onde conquistou uma Taça ao serviço do Lechia Gdansk. Praticante apaixonado de golfe, aos quase 35 anos confessa sentir-se em grande forma e diz que no futuro gostava de ajudar outros jovens canadianos a ter sucesso no futebol europeu

Alexandra Simões de Abreu

Ricardo Castelo/Nfactos

Partilhar

A estreia na I liga correu-lhe tão bem que acabou por ser contratado pelo Benfica. Foi abordado por quem?
Correu bem a todos, ao próprio Estoril Praia que viveu um período de ouro, porque conseguimos inclusive qualificar para a Liga Europa. Tive a felicidade também de ser um dos capitães e de nesses dois anos, como central, ajudar a equipa fazendo 25 golos. Claro, os clubes começaram a aparecer. O Benfica foi um deles.

Quando o Benfica mostrou interesse sentiu que estava a viver um novo conto de fadas?
No início sim, mas tornou-se num pequeno pesadelo. Faz parte. Mas antes tenho de agradecer ao Marco Silva, porque no Estoril falou-se de renovação também e ele e o clube foram fantásticos. Eles perceberam porque eu não quis renovar logo, estava a ser procurado por outros clubes.

Que outros clubes estavam interessados, além do Benfica?
Interesse mais forte foi o FC Porto, com quem houve conversas; não chegou a mim, mas falou-se do Sporting; do estrangeiro, o Palermo da Serie A, na Alemanha também houve alguns interessados. Estava a chegar muita coisa.

O que o levou a optar pelo Benfica?
Vou ser sincero, quando vem o interesse do Benfica, como tinha visto muitos exemplos antes de mim de jogadores que se destacaram nos seus clubes e foram para o Benfica e não tiveram oportunidades, eu sabia dessa probabilidade; falei com o meu agente e disse-lhe que era bom, não queria faltar ao respeito e dizer que não, mas a verdade é que não estava muito para aí virado. Mas comecei a ver também que o interesse dos diretores no Estoril era forte e mais sério e pediram para termos uma reunião no Benfica. Reunimos, eu, o meu agente, os diretores do Estoril e o presidente do Benfica. E, desde o primeiro dia que Luís Filipe Vieira foi fantástico e aí bateu também a realidade, era o Benfica. Disse ao presidente: "Estou muito grato, a família é benfiquista, só por estar aqui é um momento que vou levar para sempre, mas a verdade é que se fosse há cinco ou dez anos talvez eu aceitasse até de borla, agora tem de perceber que felizmente tenho muitas opções". Não ficou nada fechado nesse dia. Foi ouvir, agradecer e vir embora sem fechar contrato.

Artigo Exclusivo para assinantes

No Expresso valorizamos o jornalismo livre e independente

Já é assinante?
Comprou o Expresso? Insira o código presente na Revista E para continuar a ler