Tribuna Expresso

Perfil

A casa às costas

“Quando cheguei ao FC Porto a minha preocupação foi entrar sem fazer muito ruído e ser absorvido, porque eu não tinha a marca Porto”

Enquanto espera pelo recomeço da competição no Catar, onde está a treinar o Al-Duhail, Luís Castro foi ao baú das memórias para nos contar como o futebol se tornou a sua profissão. Cedo percebeu que não era um talento com a bola nos pés e que, a vingar, seria pela via do treino. Depois de uma infância marcada por uma doença que lhe ameaçou a vida e pela precoce consciência política adquirida em plena Revolução de Abril, foi jogador, capitão e trabalhou como comercial. Foi a mulher quem o convenceu a tirar o nível III do curso de treinador que o levaria a entrar mais tarde no FC Porto, pela via da formação, antes de assumir uma missão especial à frente da equipa sénior. Com peripécias e pormenores inéditos, não perca a primeira parte desta entrevista - no domingo servimos o resto da história

Alexandra Simões de Abreu

NurPhoto/Getty

Partilhar

Nasceu em Vila Real. Filho de quem?
A minha mãe era professora, o meu pai militar. Eu tinha meses quando nos mudamos para a zona de Vieira de Leiria, onde vivi durante muitos anos.

Tem irmãos?
Dois, da minha idade praticamente.

Como foi a sua infância e que tipo de criança era?
Era tranquilo, envergonhado, o meu mundo era os meus amigos de escola. Com eles brincava e jogava à bola. Na Vieira tínhamos uma praça muito grande, do tamanho de um campo de futebol, com candeeiros e bancos, mesmo em frente a minha casa. Era aí que ficávamos a jogar até à noite. Uma infância normal, com praia a três quilómetros, portanto muita vida de praia nas chamadas férias grandes.

Gostava da escola?
Não foi algo que me apaixonasse muito. A minha mãe, como professora primária, nos meus primeiros anos de vida acompanhou-me. Ela nunca me deu aulas, mas as colegas dela eram minhas professoras e ela controlava muito. Isso criava mais uma obrigação do que uma paixão. Mas fui sempre um bom aluno.

Teve um problema de saúde em criança. Pode contar-nos o que aconteceu?
Aos 11 anos, numas férias na aldeia, com os meus pais - os meus pais são de duas aldeias que ficam a quatro quilómetros de Vila Real, uma ao lado da outra, Mondrões e Bisalhães, a aldeia da loiça do barro preto. Numa dessas férias comecei a queixar-me de dores nas pernas; apareceram-me umas manchas vermelhas nos membros e espoletou-se uma situação complicada para mim, que durante algum tempo obrigou-me a passar por algum perigo de vida, mas felizmente não caiu para o meu lado.

O que teve?
Púrpura.

Esteve hospitalizado?
Mês e meio a dois meses, em internamento.

Artigo Exclusivo para assinantes

No Expresso valorizamos o jornalismo livre e independente

Já é assinante?
Comprou o Expresso? Insira o código presente na Revista E para continuar a ler